Rui Rio disse esta sexta-feira não ver possibilidades de alcançar o consenso político defendido quinta-feira no Conselho de Estado, alertando que «os momentos mais adequados» para entendimentos partidários são «mais calmos e pós-eleitorais».

«Sou altamente favorável ao consenso entre partidos mas, neste momento, não vejo como é possível, principalmente no enquadramento em que está o PS, nem que os dois candidatos a líderes quisessem», observou o economista no Porto, em declarações aos jornalistas no fim da conferência «As Empresas e o Imperativo da Competitividade».

Para o ex-presidente da Câmara do Porto os «momentos mais adequados» para apelar ao diálogo entre forças políticas são alturas «mais calmas» e «pós eleitorais».

O Conselho de Estado exortou quinta-feira à noite «todas as forças políticas e sociais» a preservarem «pontes de diálogo construtivo» e a empenharem «os seus melhores esforços na obtenção de entendimentos quanto aos objetivos nacionais permanentes».

A reunião do órgão político de consulta do Presidente da República tinha como ordem de trabalhos a situação económica, social e política face à conclusão do programa de ajustamento e ao acordo de parceria 2014-2020 entre Portugal e a União Europeia para os fundos estruturais.

O economista Rui Rio considerou ainda «indiscutível» que a carga fiscal em Portugal é atualmente «insustentável, injusta» e «quase ultrapassou todos os limites», defendendo a necessidade de uma reforma do Estado «na área da gestão».

«Temos de baixar a despesa, mas é a despesa real, não é só a despesa com salários e pensões. Há muita outa despesa do Estado que temos de fazer um esforço para reduzir», alertou o social-democrata, em declarações aos jornalistas no fim da conferência «As Empresas e o Imperativo da Competitividade», no Porto.

Para o ex-presidente da Câmara do Porto, uma «reforma do Estado na área da gestão tem de ir da despesa mais baixa à mais alta» porque, defendeu, «é o somatório de muitas despesas pequeninas, feito organismo a organismo», que permite «reduzir a carga fiscal».

O social-democrata Rui Rio alertou também para a necessidade de, «qualquer dia», Portugal ter de «renegociar a dívida» pública no caso de não ter um crescimento económico sustentável.

«Naturalmente que Portugal só poderá não falar de renegociar a dívida se tiver um crescimento económico sustentável. Se conseguirmos esse crescimento, teremos riqueza suficiente para fazer face à dívida acumulada», observou o economista, em declarações aos jornalistas no fim da conferência «As Empresas e o Imperativo da Competitividade».

Para o ex-presidente da Câmara do Porto, se o país «tiver um crescimento económico muito fraco, qualquer dia, naturalmente», terá de «renegociar a dívida».