O musicólogo Rui Vieira Nery defendeu este sábado, na convenção «Mobilizar Portugal», a recriação do Ministério da Cultura, explicando que não está com a atual liderança do PS pela insuficiente capacidade de construir uma alternativa efetiva ao atual Governo.

Rui Vieira Nery é o coordenador do painel «Investimento na Cultura», da convenção da candidatura de António Costa às eleições primárias que decorre hoje em Aveiro, tendo, em declarações à agência Lusa, explicado que «muito do que é hoje a marca Portugal no mundo» tem a ver com as várias áreas deste setor, sendo a cultura «um fundamento da própria vivência democrática».

Entre as principais conclusões, destaque para o facto de ser «essencial a recriação do Ministério da Cultura para que o titular da pasta possa dialogar com os seus pares de outras áreas no sentido de encontrar estratégias culturais que vão muito para lá do Ministério da Cultura».

O musicólogo acrescentou ainda a «revisão da lei do mecenato, revisão da lei das fundações e criação do estatuto do intermitente» como outras medidas a implementar, garantindo que ninguém «espera de milagres de um dia para o outro» nesta área.

Questionado sobre se o atual secretário-geral do PS, António José Seguro - que concorre contra Costa nestas primárias - deveria ter dado outros sinais nesta área, Rui Vieira Nery disse que «teria esperado que sim», realçando, no entanto, que a campanha de António Costa não é feita contra a atual direção do PS, mas sim contra o Governo.

«A única razão porque não estamos com atual direção do PS é porque nos parece que a capacidade de construir uma alternativa efetiva e convincente ao atual Governo não tem sido suficiente, designadamente nesta área», sublinhou.

O coordenador destacou o exemplo do trabalho de António Costa na Câmara de Lisboa.

«Não estamos à espera de milagres de um dia para o outro. Sabemos que a situação do país é difícil e que os meios são escassos mas estamos a falar em dar sinais, em mostrar prioridades e hierarquias», defendeu.

Rui Vieira Nery destacou que «o investimento na cultura é muito barato» e que «a atual Secretaria de Estado da Cultura gasta 0,2% do Orçamento do Estado».

«É um terreno em que com relativamente pouco dinheiro se podem ter resultados que depois contaminam as outras áreas», concretizou.