O PS criticou esta sexta-feira o eventual encerramento de mais de 400 escolas do 1.º ciclo no país, por entender que «não está garantido» que os alunos envolvidos se mudam para melhor e que o processo seja participado.

Em conferência de imprensa, realizada em Évora, o coordenador do Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal (LIPP) para a área da educação, José Bravo Nico, afirmou que o encerramento de escolas do 1.º ciclo deve ter em conta «o direito das crianças a uma educação de qualidade» e a «participação das populações».

«O processo de investimento nas infraestruturas das escolas foi interrompido por este Governo, há três anos, e, portanto, nada nos garante que as crianças das escolas que estão em causa vão mudar para melhor, até em alguns casos poderão mudar para pior», disse.

O também presidente da Federação Distrital de Évora do PS realçou que, durante os governos socialistas, «cada escola que era desativada, as crianças transitavam para escolas melhores, construídas de raiz ou escolas requalificadas».

Por outro lado, referiu que «o processo deve ser participado», em que devem ser ouvidos e envolvidos os pais e os encarregados de educação, assim como os autarcas e os diretores de escolas.

«Não temos a garantia que isso esteja a ser feito, muito pelo contrário. O histórico deste Governo no contacto e no respeito pelas populações é o inverso», afirmou, aludindo ao que "aconteceu com a reorganização das freguesias".

Defendendo que «cada caso é um caso que tem de ser estudado e decidido em função desses critérios», Bravo Nico alegou que não se pode «fazer com que as crianças mudem para pior», quando, há poucos anos, outras «tiveram oportunidade de mudar para escolas melhores».

«Defendemos investimento» nas escolas e, depois, «se for necessário alterar a localização das crianças para que acedam a educação de qualidade, então que se mude, mas, se for para pior, não aceitamos», insistiu.

O coordenador do LIPP disse que o PS está preocupado com o eventual fecho de escolas do 1.º ciclo, porque «é uma questão do interior do país», que enfrenta «uma grande pressão de despovoamento e de encerramento de serviços públicos», «caminho que tem de ser invertido».

O Ministério da Educação pretende encerrar mais de 448 escolas do 1.º ciclo e do pré-escolar com menos de 21 alunos, já no próximo ano letivo, segundo avançou na quinta-feira a estação de televisão TVI.

Segundo a estação de televisão, a região centro do país é a mais afetada com o encerramento de mais de 200 estabelecimentos de ensino.