O comunista Vasco Cardoso, membro da Comissão Política do PCP, considerou este domingo que existe «sintonia e coordenação» entre o Governo e a troika para «um novo ataque aos salários».

«Não estamos perante uma troika que defende os credores e um Governo que defende o país, como habilidosamente procuram fazer crer», sustentou Vasco Cardoso num comunicado distribuído após uma conferência de imprensa em Lisboa, marcada para comunicar a posição do PCP sobre a 10ª avaliação da troika.

Para o comunista, «o que a realidade tem demonstrado é uma articulação, sintonia e coordenação na aplicação de uma política de traição nacional favorável aos interesses do grande capital nacional e estrangeiro».

Exemplo disso, segundo o membro da Comissão Política do PCP, é que «uma das questões centrais que está a ser articulada com o Governo no âmbito desta 10ª avaliação é um novo ataque aos salários e um brutal agravamento da exploração de quem trabalha».

O PCP considera que Governo e troika «preparam a facilitação e liberalização dos despedimentos e a liquidação da contratação coletiva», medidas que, «num contexto em que mais de um milhão e quatrocentos mil trabalhadores estão desempregados, traduzir-se-iam num retrocesso para níveis de exploração semelhantes aos dos tempos do fascismo em Portugal».

Para Vasco Cardoso, atendendo aos números do desemprego, à emigração forçada e ao empobrecimento da população, «não pode haver nenhuma avaliação positiva do cinicamente chamado programa de assistência financeira».

O Partido Comunista considera que o país não pode esperar pelo fim do «chamado programa de assistência financeira» em junho do próximo ano ou pelo fim da legislatura em 2015, «como quer o PS», e exige a demissão do executivo e a convocação de eleições antecipadas.

Os responsáveis da missão da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) estão em Portugal desde 04 de dezembro para a 10ª avaliação ao cumprimento do programa de ajustamento.

Esta será a antepenúltima avaliação deste programa de resgate, que termina em junho do próximo ano, e em causa estará mais um desembolso de 2,7 mil milhões de euros.