O primeiro-ministro abre, esta sexta-feira, o debate do estado da Nação, fazendo a primeira intervenção pública após o Presidente da República ter defendido um acordo entre PSD, PS e CDS que preveja eleições antecipadas no pós-troika.

O debate na Assembleia da República, que encerra a sessão legislativa e com mais de três horas e meia de duração (217 minutos), acontece depois de o chefe de Estado ter iniciado na quinta-feira o processo de consulta aos líderes dos três maiores partidos e vai realizar-se com a atual composição do Governo, desconhecendo-se o que tenciona Cavaco Silva fazer em relação à remodelação acordada entre PSD e CDS.

Paulo Portas, que tinha apresentado a sua demissão do executivo na semana passada, e que entretanto foi proposto por Passos Coelho para vice-primeiro-ministro, comparecerá por isso na Assembleia da República na qualidade de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

Depois do encontro com o chefe de Estado, na quinta-feira, fonte oficial do Governo transmitiu à Lusa que o primeiro-ministro expressou ao Presidente da República «o seu empenhamento em chegar a um acordo com as características que o chefe de Estado enunciou na quarta-feira».

Também o PSD, pela voz da vice-presidente Teresa Leal Coelho, e o CDS-PP, através do líder parlamentar Nuno Magalhães, manifestaram disponibilidade para debater a proposta de consenso proposta pelo Presidente.

Já o secretário-geral do PS, António José Seguro, também falará hoje pela primeira vez em público depois da comunicação ao país do Presidente da República. No final de uma reunião extraordinária do Secretariado Nacional, na quinta-feira à noite, o Secretariado Nacional do PS reiterou, em comunicado, a sua disponibilidade para iniciar um processo de diálogo, advertindo que exclui do processo «qualquer possibilidade de apoio e muito menos integração em qualquer solução governativa que resulte do atual quadro parlamentar».

Na quarta-feira, numa declaração ao país depois de audiências com os partidos e os parceiros sociais, na sequência da demissão de Paulo Portas, Aníbal Cavaco Silva propôs um «compromisso de salvação nacional» entre PSD, PS e CDS que permita cumprir o programa de ajuda externa e que preveja eleições antecipadas a partir de junho de 2014.

«No contexto das restrições de financiamento que enfrentamos, a recente crise política mostrou, à vista de todos, que o país necessita urgentemente de um acordo de médio prazo entre os partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, PSD, PS e CDS», afirmou o chefe de Estado.



A agência Lusa tentou saber junto de vários gabinetes do Governo que outros membros do executivo intervirão durante o debate e a quem caberá o discurso de encerramento, mas tal não foi possível.