O presidente do Governo da Madeira, que se tornou hoje o político português há mais tempo no poder desde 1910, ultrapassando Oliveira Salazar, admitiu ter cometido «erros», insistindo não se arrepender de ter feito dívida para desenvolver a região.

«Obviamente que não fazia tudo igual. Todos cometemos erros», declarou o líder insular, mas sublinhou que «de fundo, nas opções principais fazia tudo igual», disse Alberto João Jardim aos jornalistas à margem da cerimónia de homenagem às comunidades madeirenses espalhadas pelo mundo, na marginal do Funchal.

Mas o líder insular, fundador do PSD-Madeira, sublinhou que «de fundo, nas opções principais fazia tudo igual», dando como exemplos os casos do «desenvolvimento da Madeira, opções pelos sectores sociais dado o estado lastimoso em que isto se encontrava, e a dívida pública para aproveitar os fundos europeus».

Jardim adiantou que «em questões de pormenor podia ter deixado de fazer isto ou aquilo, não ter escolhido esta ou aquela pessoa».

Quando questionado sobre se estava disponível para continuar e atingir os 40 anos de governação declarou: «Fechou-se um ciclo de governo», assegurando sentir-se «feliz» pela meta que atingiu.

Jardim referiu também que existiram nestes anos acontecimentos que o «marcaram duramente», mencionando «a resistência da República Portuguesa à evolução da autonomia, o incorreto funcionamento da justiça na Região Autónoma da Madeira e a má vontade de certos setores da comunicação social».

«Paga-se neste país um preço muito duro se formos oposição ao regime, se combatermos o poder antidemocrático de certas corporações e se se denunciar a oligarquia das sociedades secretas que se vão apossando, a pouco e pouco, dos portugueses», realçou.

Jardim é agora o português com maior longevidade no poder desde 1910, com 36 anos e 85 dias de governação, mais um dia que Oliveira Salazar, completando 13.310 dias desde que assumiu a presidência do Governo Regional, a 17 de março de 1978.

O líder madeirense torna-se, assim, no político português há mais tempo em funções desde a instauração do regime republicano em Portugal, uma longevidade que assenta na sua nomeação como presidente do Governo Regional, sempre na sequência dos resultados de eleições para a Assembleia Legislativa, tendo vencido, desde 1976, dez eleições regionais consecutivas.

Mas para Jardim, a data de hoje não lhe diz «nada de especial», embora reconheça que tem de «agradecer à população» a confiança que nele depositou.

«Enquanto o dr. Salazar estava numa posição ditatorial, eu estive sempre eleito pelo povo. Estou mais legitimado que o dr. Salazar», disse Alberto João Jardim à agência Lusa.

Fundador do Estado Novo, António de Oliveira Salazar presidiu ao Governo de Portugal durante 36 anos e 84 dias, entre 05 de julho de 1932 e 27 de setembro de 1968.

Quando questionado como vê a forma como o país olha para a sua atividade política, Jardim responde ao seu jeito: «Portugal, dê atenção, ou não dê atenção, eu tenho é de resolver os problemas da Madeira».