O dirigente do PSD/Madeira Guilherme Silva admitiu, este domingo, que os resultados do partido na região são «uma perda significativa», admitindo que os sociais-democratas perdem sete dos 11 municípios do arquipélago.

«O PSD perde o peso autárquico que tinha na Madeira porque, em princípio, perderá sete câmaras. Não podemos ignorar que é uma perda significativa», afirmou à agência Lusa Guilherme Silva, membro da Comissão Política Regional do PSD/M, considerando que «resulta da fórmula decidida, que foi a de descentralizar a campanha e deixá-la à autonomia das candidaturas locais».

De acordo com o social-democrata, «foi uma experiência que o PSD/M entendeu fazer e, pelos resultados, verifica-se que não foi uma solução bem-sucedida».

Guilherme Silva, também deputado do PSD eleito pelo Círculo da Madeira para a Assembleia da República, reconheceu, ainda, ser «evidente que houve na região, como no país todo, uma tónica de acentuação das medidas nacionais de austeridade e restrições que têm afetado, de uma forma sensível, também, a população da Madeira».

Para o dirigente do PSD/M, os resultados espelham, ainda, «um fenómeno que se passou no país e na Madeira, que são os dissidentes do partido assumirem candidaturas como independentes, o que é a perversão da previsão constitucional das candidaturas às autárquicas, porque corresponde a um fracionamento partidário que não está na base do legislador».

«De referir que, dificilmente, partidos de alternativa ao poder, como é o caso do PS, podem cantar vitórias no que diz respeito à Madeira, porque as vitórias são praticamente de movimentos alheios ao PS nalguns casos ou de coligações contranatura, como foi a coligação do Funchal, que junta direita e esquerda», adiantou o parlamentar.

Questionado se o presidente do PSD/M e, também, presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, tem condições para se manter na liderança do partido, Guilherme Silva referiu: «Eu acho que, tal como a nível nacional não se pode fazer a extrapolação das eleições autárquicas para o Governo da República, também aqui não se pode nem deve fazer esta extrapolação para o Governo Regional, porque o PSD continua a ser o partido mais votado».

«Não se deve confundir os planos, não se pode pôr em causa a legitimidade do Governo Regional», acrescentou.

Os primeiros dados dão conta de que o PSD perdeu sete das 11 câmaras da região que detinha desde 2009, incluindo o Funchal, para a coligação «Mudança», formada por seis partidos.

O PS conquistou Machico, Porto Moniz e Porto Santo, o CDS-PP a Câmara de Santana e os movimentos independentes tiraram ao PSD os municípios de São Vicente e Santa Cruz.