O debate do estado da Nação desta quarta-feira decorrerá entre o signo das oportunidades criadas pelo pós-troika projetadas pela maioria PSD/CDS-PP e o «país mais pobre» com que PS, PCP, BE e PEV querem confrontar o Governo.

«O estado da Nação é o estado do país mais pobre, mais endividado e mais desigual», disse à Agência Lusa o vice-presidente da bancada do PS José Junqueiro, sublinhando que «100 pessoas todos os dias entram numa lista de incumprimento, famílias que entregam as casas à banca, pessoas, mais jovens sobretudo, que procuram a vida fora do país e na migração».

«A nossa dívida subiu exponencialmente de 94 para 133 por cento. A austeridade provou que não valia a pena, temos pior economia, o PIB caiu no primeiro trimestre, tal como as vendas a retalho, a maior queda em toda a Europa, a queda sucessiva das exportações, uma dificuldade acrescida de criar uma economia sustentável», argumenta, apontando também para um mais difícil acesso à educação, justiça e saúde.

O líder parlamentar do PCP João Oliveira defende que para discutir o estado da Nação há que «confrontar o Governo com aquilo que é o rasto de destruição económica e social que deixa a política que executou nos últimos três anos, com as perspetivas de agravamento dessa crise social e económica, e com a degradação da situação política que resulta da continuação em funções deste Governo que já não tem condições para continuar».

João Oliveira considera que este é também o momento de apresentar «propostas de construção de uma política alternativa», desde logo, a «renegociação da dívida, medida fundamental para romper o espartilho imposto pelos condicionamento financeiros com os quais se justificam muitas das medida de empobrecimento, de saque de rendimentos», mas também «medidas de valorização do trabalho e dos trabalhadores», como aumento dos salários e do salário mínimo nacional.

O presidente da bancada do BE, Pedro Filipe Soares considera que o debate do estado da Nação ficará marcado pela «iliteracia constitucional» do Governo, patente na «guerra declarada» ao Tribunal Constitucional e na «incapacidade» de governar dentro das «regras do jogo democrático e constitucional».

«Devemos perguntar se o país está melhor ou está pior. Olhando para a dívida e para a realidade das pessoas que vivem no nosso país, daquelas que tiveram que emigrar, da falta de perspetivas de futuro no nosso país, creio que todos percebemos que o país está pior. Temos mais dívida, temos menos pessoas a trabalhar do que tínhamos e por isso temos menos futuro que tínhamos no passado», sustenta o líder parlamentar bloquista.

Pelo partido ecologista «Os Verdes», Heloísa Apolónia entende que no «debate do estado da Nação é preciso pensar o próprio Estado e o que o Governo está a fazer, de construção de um Estado mínimo, de delapidação de serviços públicos, encerramento de inúmeros serviços públicos de proximidade, e de tornar esses serviços extraordinariamente caros para a população».

«Faremos um balanço da política ambiental, da lógica de privatização de serviços na área ambiental, desinvestimento no litoral, e da permanente falta de palavra do Governo com questões de saúde pública, não cumprindo os prazos relativamente à lista de edifícios de amianto», sublinhou Heloísa Apolónia.

Do lado da maioria, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, destaca que este é «o primeiro debate do estado da Nação desta legislatura sem a troika», numa altura em que podem lançar-se «políticas de recuperação do estímulo à economia, à criação de emprego, mas também de continuidade das reformas dos principais sistemas públicos que podem ser desenhadas sem os condicionalismos» da missão externa.