O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, exortou hoje para que «deixem a Constituição em paz», tecendo duras críticas aos «ex-ministros» e «comentadores encartados» que têm sugerido uma revisão constitucional.

«Tenham vergonha, foram derrotados pelo povo, foram derrotados no seu objetivo de subversão da Constituição e vêm lá das arcas escondidas do capital, lá dos sótãos do reacionarismo afirmar que é preciso rever, destruir a Constituição da República», afirmou Jerónimo de Sousa durante um comício no Porto.

O líder comunista apontou mesmo o dedo a Ângelo Correia, sublinhando a «a leitura de uma entrevista hoje [ao jornal I] de um conhecido ex-ministro cavaquista, aquele que inventou a revolução dos pregos, que durante uma greve geral vem dizer que é preciso um estado de emergência, suspender a constituição».

«Deixem a Constituição em paz porque ela é fundamental, é a grande referência democrática do nosso país», frisou Jerónimo de Sousa, criticando «os ex-ministros do PS e do PSD» que «vêm a público, em coro, juntamente com outros comentadores encartados, ora a exigir a revisão da Constituição, ora a sugerir a rendição do Tribunal Constitucional, impondo uma espécie de estado de exceção constitucional não declarado, como quem diz que em tempo de crise não há Constituição».

Para o líder do PCP, «se há alguma coisa a mudar não é a Constituição mas o governo», voltando mesmo a pedir «convocação de eleições antecipadas.»

Num discurso de pouco mais de 30 minutos, Jerónimo de Sousa atacou ainda o «famigerado programa de terrorismo social a que chamam reforma de estado» e a «proposta de orçamento de estado que segue a via do roubo e do confisco dos rendimentos do trabalho, dos salários, das reformas e pensões».

«Este orçamento, ao contrário do que também anunciam, não é para ajudar o país a sair da crise, mas para o afundar ainda mais», atirou, acrescentando que para o «impor e justificar a todo o custo», o governo utiliza a «mentira e chantagem» que é «secundada por Cavaco Silva».

O secretário-geral comunista criticou igualmente as «pressões externas, cada vez mais inadmissíveis» e que deveriam motivar um «veemente protesto» por parte do governo e não a «postura de invertebrado» a que se assiste, «perante os senhores do capital e as potências estrangeiras».

Jerónimo de Sousa voltou a abordar o tema do programa cautelar, considerando que este «implica novas condições de submissão do país e do seu projeto de desenvolvimento» e que o governo o está a fazer passar «por uma coisa menos má», como se fosse «a melhor solução do seu menu de malfeitorias.»

«Não há milagre que possa salvar este governo e os seus ministros do ridículo das suas afirmações», realçou o comunista para quem «é tempo de pôr fim a mais de dois anos de um governo que agravou todos os problemas nacionais».