A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) Catarina Martins defendeu hoje que os contribuintes portugueses não devem dar nem «um tostão» para o BES, por entender que quem comete os crimes económicos é que tem de os pagar.

Em declarações aos jornalistas no 11º Acampamento de Jovens do Bloco - Liberdade 2014, em S. Pedro do Sul, Catarina Martins disse ser «muito importante que não haja um tostão dos contribuintes para o BES».

«É preciso que quem fez crimes económicos pague por eles, pague na justiça, mas pague também os buracos que criou, que não os deixe para os contribuintes», frisou.

Catarina Martins lembrou que, «há cinco anos, Ricardo Salgado queixava-se da obsessão patológica do BE com o BES», mas agora se vê «que o BE tinha razão».

Na sua opinião, o escândalo do BES veio dar razão ao BE quando dizia «que os offshores escondiam o que se estava a passar», que «a confusão entre o poder político e o poder económico trazia a impunidade sempre dos mesmos» e que «os grupos financeiros estavam a retirar a riqueza do país», sem produzirem riqueza em Portugal.

«Sabemos que a impunidade está toda no BES, como tem estado nos vários escândalos financeiros», considerou, congratulando-se por, ainda que tarde, a justiça comece a funcionar.

A coordenadora do BE lembrou que, «o Banco de Portugal, que ainda há dois anos dizia que estava tudo bem, começa a dizer que afinal há problemas».

«É tarde. Mas mais vale tarde do que nunca. Se veem problemas agora é altura de os corrigir. É quem criou o buraco financeiro que tem de o pagar. Os contribuintes portugueses não podem pagar nem mais um tostão dos desmandos da banca», sublinhou.

Catarina Martins disse que «é preciso recuar até ao governo de Maria de Lurdes Pintassilgo para encontrar um governo que não tenha tido administradores no BES».

«Sabemos que os governos sucessivos de alternância têm estado sempre ligados ao BES, têm estado sempre ligados à finança», referiu.

Para o BE, é urgente acabar com os offshores, que considera «mecanismos de opacidade, mecanismos de amnistia fiscal que têm permitido esconder todos os crimes da finança».

«E há um terceiro ponto essencial: acabar com a promiscuidade entre a política e a finança. No Bloco temos feito essa batalha na Assembleia da República e continuaremos a fazê-la», garantiu, considerando que estas são «exigências fundamentais de higiene para o país».

Catarina Martins lamentou que «a finança continue impune, ao mesmo tempo que se continua a cortar em salários, no estado social, naquilo que dá futuro ao país».

«É preciso assumir que aquilo que foi dado como a receita única, a receita da austeridade, falhou. Que aqueles que foram os seus porta-vozes falharam», afirmou, lembrando que «Ricardo Salgado foi um dos banqueiros que se reuniu para pedir a entrada da troika» em Portugal.

A coordenadora do Bloco de Esquerda considerou também fundamental o governo «parar a privatização do que é estratégico» para o país, como a transportadora aérea portuguesa TAP.

«O que acontece no BES é um bom sinal de alarme sobre a privatização de setores estratégicos. A TAP faz certamente parte desses setores estratégicos», afirmou. Na opinião de Catarina Martins, «o que está a acontecer na TAP é provocado por essa tentativa de privatização, em vez de existir uma estratégia pública de defesa da companhia aérea nacional».

«Imaginem o que seria se o governo tivesse ido para a frente com a sua ideia de privatização da CGD quando sabemos tudo o que está a acontecer com os bancos privados», afirmou.