O antigo dirigente do CDS-PP e ex-ministro Luís Nobre Guedes é o nome apresentado no XXV Congresso dos centristas pelo movimento Alternativa e Responsabilidade (AR) para presidir à mesa do Conselho Nacional.

«É um sinal que eu agradeço e que encaro com grande esperança de que isso possa confirmar a expectativa dos militantes numa mudança que achamos que é muito importante que ocorra no CDS neste Congresso», disse à Lusa o líder do AR, Filipe Anacoreta.

Nobre Guedes confirmou à Lusa essa disponibilidade, ressalvando que só se concretizará se o atual presidente da mesa do Conselho Nacional, António Pires de Lima, que assumiu há seis meses o Ministério da Economia, não quiser continuar nessas funções.

«É um conjunto de pessoas de bem, que tem feito um esforço notável, com muito boas ideias, e é com muito gosto que apoio no que puder», disse à Lusa Nobre Guedes.

Nobre Guedes recusa que o AR seja uma tendência de oposição à atual direção do CDS-PP.

«Não é um movimento de oposição, é um movimento da situação», afirmou.

Instado a comentar a possível candidatura de Nobre Guedes e a sua intenção de só avançar se Pires de Lima não o fizer, o atual presidente do Conselho Nacional e ministro da Economia fez um breve comentário à Lusa.

«É um gesto de grande elegância do dr. Nobre Guedes que eu agradeço. No sábado, todas as dúvidas serão dissipadas», afirmou António Pires de Lima, escusando-se a antecipar se será ou não recandidato ao cargo.

Filipe Anacoreta enquadra este apoio de Nobre Guedes no quadro de um sentimento mais generalizado de apoio ao AR por parte de setores que não estão com o movimento desde o início.

O líder do AR tinha desafiado o presidente do partido, Paulo Portas, a subscrever a moção que aquela tendência centrista apresenta ao Congresso, esperando que esse gesto pudesse manifestar disponibilidade da atual direção para incorporar propostas do documento do AR.

«Confesso que não tive ainda nenhuma resposta da parte do doutor Paulo Portas em relação a esse desafio e confesso até que, a confirmar-se, será uma desilusão. A minha expectativa efetivamente é que este Congresso possa ser um momento de reforço do partido, de reforço no sentido de alargamento no seio da direção, no sentido de maior abertura a confrontar-se com o país, com os eleitores e com aqueles que dentro do partido têm sabido sinalizar, com coragem, algumas coisas que identificamos que não estão tão bem», disse.

«Os sinais que nos chegam contrariam essa possibilidade, uma vez que verificamos no partido, em vez de uma maior abertura, uma indisponibilidade para debater e para confrontar diferentes opiniões e isso nunca é positivo», afirmou.

Filipe Anacoreta reiterou que, caso não exista essa disponibilidade, submeterá a votos a moção de estratégia global, de que é o primeiro subscritor, em alternativa à do líder, Paulo Portas, o que significa assumir uma candidatura à liderança.