A população de Monção, distrito de Viana do Castelo, ainda desconhece quem será o novo presidente da Câmara, dois dias depois das eleições, com os candidatos do PS e do PSD separados por quatro votos, decorrendo a recontagem em algumas freguesias.

De acordo com os dados da Direção Geral de Administração Interna (DGAI), a lista do PS, liderada pelo atual vice-presidente da Câmara, venceu as eleições em Monção com 37,96% da votação (4.743 votos), contra os 37,92% (4.739 votos) da lista do PSD.

No entanto, ninguém fez a festa até ao momento, com os candidatos do PS e PSD a aguardarem pelos resultados da assembleia de apuramento geral que em Monção - como em todas as autarquias nacionais -, começou às 09:00 de hoje.

Durante o dia, como a Lusa constatou no local, chegaram à Câmara de Monção, acompanhados por militares da GNR, os votos de cinco freguesias que estavam depositados no tribunal, solicitados pelo juiz que preside à assembleia de apuramento geral, face às discrepâncias na votação detetadas durante a conferência.

Segundo dados da DGAI, para a Câmara de Monção votaram 12.496 eleitores, para a Assembleia Municipal 12.486 e para as Assembleias de Freguesia 12.493.

Fonte desta assembleia de apuramento geral, constituída ainda por um jurista, dois professores de matemática e quatro elementos escolhidos entre as 38 mesas de voto do concelho, explicou à Lusa que ao final do dia de hoje já tinha sido validada a votação de mais de metade das freguesias. Nomeadamente com a recontagem em cinco destas, devido precisamente às discrepâncias formais que foram encontradas.

Na votação para a Câmara registaram-se 203 votos considerados nulos, que estão a ser alvo de novo escrutínio pela assembleia.

Esta assembleia, que visa analisar queixas e validar os resultados de domingo, foi entretanto suspensa e será retomada às 09:00 de quarta-feira, admitindo-se a possibilidade da divulgação dos dados apurados até ao final da manhã.

No final, os candidatos poderão ainda pedir uma recontagem global da votação.

A Câmara de Monção era liderada há 16 anos por José Emílio Moreira (PS) que, devido à lei da limitação dos mandatos autárquicos, não pôde recandidatar nestas eleições.

A votação do PS, com o atual vice-presidente da Câmara, Augusto Domingues, caiu praticamente para metade face a 2009 (68,37% há quatro anos), enquanto o PSD, com António Barbosa, quase duplicou (dos anteriores 20,89%) o resultado.

Os dois partidos, segundo os mesmos dados, garantiram igual número de mandatos autárquicos (3). Já o CDS-PP, que não apresentou candidatura em 2009, foi o terceiro partido mais votado nas eleições deste ano, com a lista liderada pelo atual deputado Abel Baptista a garantir 2.221 votos (17,77%) e um eleito no executivo camarário.