Entrevista é um sinal de «descontrolo», reage PS

Em causa, as afirmações do primeiro-ministro de que já não é certo que Portugal regresse aos mercados em 2013

Por: Redação / CLC    |   7 de Abril de 2012 às 17:21
O secretário-nacional do PS, João Ribeiro, considerou hoje «inacreditável» e um sinal do «descontrolo» do Governo que o primeiro-ministro já não tenha a certeza se Portugal regressará aos mercados em 2013, questionando a razão de tantos sacrifícios.

«É inacreditável o que acabamos de saber», afirmou o secretário-nacional socialista, em declarações à Lusa a propósito da entrevista ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, publicada na edição de hoje do jornal alemão Die Welt.

Na entrevista, Passos Coelho admite que Portugal pode não regressar aos mercados em 2013, lembrando que se for necessário está garantida a ajuda financeira do FMI e da UE.

«Eu não sei se Portugal regressará aos mercados em setembro de 2013 ou mais tarde. Naturalmente que eu quero isso mas, se por qualquer razão que não tenha a ver com a aplicação do programa, isso não funcionar, então o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia (UE) manterão a ajuda a Portugal. Já deram garantias disso», refere.

Contudo, acrescenta o primeiro-ministro, «não é claro que isso possa significar um segundo plano de ajudas».

«Eu não vejo motivos para que isso aconteça, mas é claro que desde a cimeira europeia de julho de 2011 há uma garantia de ajuda desde que os programas sejam implementados com sucesso», afirma.

Recordando o «desfile de autoelogios» do Governo sobre os bons resultados da receita que está a ser seguida e as declarações sistemáticas do primeiro-ministro de que se está no «bom caminho», João Ribeiro insistiu em classificar as palavras de Passos Coelho como «inacreditáveis».

«Por isso, perguntamos: para que anda a pedir tantos sacrifícios», questionou o secretário-nacional socialista, acrescentando que este «é também um sinal claro do descontrolo do Governo».

João Ribeiro lembrou ainda que há muitos meses que o PS avisa que há outro caminho, que passa pela promoção do crescimento económico e do emprego, reiterando que são «verdadeiramente inacreditáveis» as declarações do primeiro-ministro a um jornal alemão.
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