Por: Redacção / VG | 15- 4- 2010 17: 13
Os partidos da oposição condenaram no Parlamento que a avaliação de desempenho dos professores seja utilizada nos concursos
de contratação de docentes, iniciados na segunda-feira, adianta a Lusa.
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A deputada bloquista Ana Drago acusou
o Governo de não ter «um pingo de seriedade», depois de ter «reconhecido que esse modelo de avaliação não era confiável» e
numa altura em que procura criar um novo modelo, criticando que o ministério de Educação venha «dizer que toda esta confusão
e imbróglio são para levar a sério».
Ana Drago salientou a existência de 38 mil professores precários na escola pública
e de casos de docentes com mais de 18 anos de «contratos de trabalho seguidos», acusando o PS de «tratar as pessoas como se
fossem descartáveis».
A deputada do Bloco condenou também que «a regra seguida na Educação» seja a de uma entrada
por cada 36 professores que saem, uma medida que, disse, tem causado «alegrias e orgulho ao primeiro-ministro».
Pelo
CDS, o deputado Michael Seufert defendeu a audição da ministra da Educação na comissão parlamentar de Educação, propondo ainda
uma recomendação no sentido de considerar que «se a avaliação não serve para avaliar este ano os professores, então também
não é boa ideia usar para colocar os professores no próximo ano».
O deputado comunista Miguel Tiago considerou que
não está em causa «uma incompetência involuntária ou uma trapalhada», mas trata-se de «uma orientação do Governo para desacreditar
todos os processos concursais», adiantando que o Executivo «está apostado em generalizar a oferta de escola e a contratação
directa de professores, em vez da colocação».
Uma vez que o Parlamento não tem tempo para intervir sobre este concurso
já a decorrer, Emídio Guerreiro, do PSD, recordou que o presidente da comissão de Educação foi mandatado para «fazer chegar
ao Governo que todos os partidos não concordam com as regras deste concurso», transmitindo assim «qual é a vontade política
da Assembleia da República».
Pelo PS, Bravo Nico sustentou que o Governo tem cumprido as suas promessas nesta área,
no sentido da estabilização do corpo docente, através da colocação de professores por quatro anos, com a reorganização da
rede escolar, a contratação de milhares de novos técnicos e a criação do grupo de educação especial.
Fenprof
sugere adiamento
A Fenprof sugeriu o adiamento, por alguns dias, do concurso de colocação de professores, para
que o Governo determine que a avaliação de desempenho não seja tida em conta.
«A solução possível é fazer deslizar
alguns dias o concurso para regularizar a situação do ponto de vista jurídico. Basta um decreto que mantenha em vigor por
mais um ano uma norma já existente», afirmou o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira.
O
presidente da comissão, o socialista Luiz Fagundes Duarte, ficou de transmitir à ministra da Educação, Isabel Alçada, as «preocupações»
dos partidos relativamente a esta matéria.
A federação apela ao bom senso do Governo para que «a avaliação não entre
em linha de conta para o concurso».
«Se o Governo não tiver o bom senso para encontrar uma solução rapidamente, é
evidente que não pomos de parte o recurso ao tribunal, através de uma ou várias providências cautelares», afirmou Mário Nogueira,
sublinhando que este «não é o caminho» que a Fenprof pretende adoptar no «imediato».
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