Por: tvi24 / CLC | 12- 8- 2010 0: 31
Narciso Miranda considerou esta quarta-feira, no TVI24, que está a «pagar» uma «factura» por «não ceder a determinadas
coisas» no aparelho do Partido Socialista. O militante socialista há mais de 30 anos é um dos 200 expulsos do PS.
«Sei
que estou a pagar uma factura pesadíssima por ser um homem de carácter e não ceder a determinadas coisas, lá dos aparelhos»,
disse. Sobre quem estará por trás da expulsão, Narciso Miranda não é claro, mas deixa pistas. «Houve uns telefonemas com aquelas
instruções que tem um chefe que dá ordens e que reuniram à pressa para tomar estas deliberações, pelos vistos, para explosão
de 200 militantes», disse.
Narciso Miranda diz que este não é o PS onde sempre trabalhou e acredita estar ainda a
pagar o preço dos trágicos acontecimentos da lota de Matosinhos, há cinco anos, quando Sousa Franco perdeu a vida.
«Isto
não é o PS. O PS é uma coisa muito séria. Eu trabalhei com Mário Soares, com Vítor Constâncio, Jorge Sampaio (...) eu pertenci
ao governo de António Guterres», disse.
O ex-autarca de Matosinhos invocou ainda declarações de Silva Pereira que
lamentavam o uso do seu nome no processo judicial. «Eu também tenho direito ao meu bom nome, eu também tenho direito à minha
honra e não posso aceitar que o nosso partido, que o nosso Silva Pereira me esteja a perseguir politicamente, partidariamente
e pessoalmente», afirmou.
Narciso Miranda considerou ainda que «é pena que o Partido Socialista não saiba aproveitar
esta gente, com os quais tenho que ser solidário». «Para um partido plural que deve ouvir atentamente não só os que dizem
bem, os «yes men», os que estão sempre a dizer que sim com a cabeça ao chefe, mas também os outros que têm uma posição crítica,
uma posição diferente. Isso permitiria corrigir-se erros que são cometidos».
Referindo às explusões em concreto,
Narciso explica o que aconteceu: «Em Matosinhos, o PS não abriu candidatura para que os seus militantes que assim o desejassem
pudessem apresentar a sua candidatura interna, dentro do Partido Socialista, para se depois ganhassem na votação e no debate,
poderem ser candidatos pelo PS. Em Matosinhos não houve este debate e muito menos houve votação».
Por fim, o socialista
deixa um desabafo: «Eu estou aqui a contragosto. Eu estou a sofrer. Isto não me traz satisfação nenhuma. Eu estou a falar
do meu partido. 38 anos que eu servi e sirvo. Eu sou um socialista de alma e coração. Isto traz-me uma angústia enorme».
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