
O BE solidarizou-se hoje com a democracia grega «contra a chantagem da austeridade», destacando a emergência da coligação de esquerda Syriza, que resiste a «todas as pressões e mantém a sua palavra perante os gregos e a Europa».
«Não são os gregos que ameaçam o euro. A ameaça ao euro é a intransigência de Merkel e dos seus clones, ao impor o sacrifício coletivo dos povos europeus para proteger os ativos do sistema financeiro», afirmou a deputada do BE Ana Drago, numa declaração política no plenário da Assembleia da República.
Citando o líder da coligação grega Syriza, Ana Drago insitiu que «não é a resistência grega que está a ameaçar a zona euro, mas a austeridade da ¿troika».
Na sua intervenção, a deputada do BE assinalou ainda o crescimento eleitoral dos partidos de esquerda gregos registado nas eleições realizadas no início do mês, ironizando que se não fosse essa subida «tudo estava bem encaminhado».
Contudo, frisou, o povo grego levantou-se contra a «obstinação recessiva do Governo alemão».
«Os gregos rejeitaram a austeridade, que faz da expiação moral de um povo uma experiência social para toda a Europa. E é por isso que a coligação dos partidos que há três anos valia 80 por centos dos votos foi a grande perdedora das eleições», disse.
No final da sua declaração política, e depois de constatar que apenas tinha um pedido de esclarecimento da bancada do PCP, Ana Drago confessou ter ficado «absolutamente pasmada» com a «espécie de silêncio ensurdecedor» a que se remeteram as bancadas do PSD, CDS-PP e PS perante um debate fundamental para o futuro da própria União Europeia.
«É de registar o silêncio dos partidos da ¿troika», corroborou o deputado do PCP João Oliveira, considerando «significativo» que a «troika nacional» não tenha querido falar.
Na sua intervenção, João Oliveira juntou-se ainda a Ana Drago, falando também na «operação de chantagem» a que está sujeita a Grécia e sublinhando que a situação que aquele país atravessa é demonstrativa do «potencial destrutivo» das políticas da troika e do «falhanço» das suas políticas.
Antes da intervenção política do BE, o deputado do PSD Duarte Teixeira usou também da palavra, centrando o discurso do potencial da economia do mar, insistindo na ideia de que esse tem de ser «um dos maiores desígnios nacionais».
«Esta aposta no mar de Portugal é uma determinação clara do PSD e do Governo. Com firmeza, de uma forma pragmática e articulada, estou convicto de que vamos conseguir alcançar também esta meta», disse, recuperando um dos temas da agenda do Presidente da República, Cavaco Silva, que tem igualmente defendido a aposta na economia do mar.
Pelo CDS-PP, o deputado Alcino Bessa aproveitou a declaração política da sua bancada para apresentar o projeto de resolução que recomenda ao Governo para que faça «discriminação positiva» a atividades do setor primário nas taxas a aplicar pelo Instituto da Conservação no pedido de pareceres ou autorizações para o uso, ocupação ou transformação do solo.