A ministra das Finanças disse hoje desconhecer o que são «tentações eleitoralistas» e garantiu a determinação do executivo em continuar as reformas e consolidação orçamental, porque «o caminho para a sustentabilidade é ainda longo».

«Aquilo que o Governo diz e corresponde à verdade é que estamos determinados para prosseguir este caminho, porque está a ter bons resultados para Portugal, as eleições são relevantes e fazem parte das regras do jogo da democracia (...) mas a determinação do Governo em fazer o que é preciso é tão forte como sempre foi», afirmou Maria Luís Albuquerque.

A responsável pela pasta das Finanças falava aos jornalistas no final da reunião do Eurogrupo, em Bruxelas, onde apresentou aos ministros da zona euro as razões que levaram o executivo português a optar por uma «saída limpa» do programa de assistência.

Questionada sobre os riscos associados ao fim do programa, Maria Luís disse que estes existem para «qualquer país» e que existem «ainda muitas fragilidades na economia portuguesa», alertando que processos de reformas «só começam a dar frutos ao fim de três anos».

«Se não mantivermos o rumo isso implica riscos», afirmou, lembrando que Portugal prevê alcançar os 4% de défice este ano e que apenas em 2017 deverá cumprir os 0,5% estipulados pelo tratado orçamental.

«O caminho para a sustentabilidade é um caminho ainda longo», reforçou.

Questionada sobre se a cerca de um ano das eleições legislativas, o Governo pode vir a cair em tentações eleitoralistas, a ministra disse desconhecer esse conceito: «Eu não sei o que são tentações eleitoralistas».

Maria Luís Albuquerque voltou a frisar que o executivo irá levar a cabo com «determinação» o que «é melhor para os portugueses».

Já sobre a necessidade de consensos políticos, respondeu que são desejáveis «tanto quanto possível», mas ressalvou que «não foi o facto de não termos tido consenso que impediu o país de cumprir as metas e chegar a esta fase» de saída do programa.

«Mas se pudermos encontrar pontos comuns isso dá uma maior segurança aos portugueses e aos investidores», admitiu.