O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou hoje que não existem “notícias preocupantes" sobre portugueses na Turquia, palco desde sexta-feira de uma tentativa de golpe de Estado que fez pelo menos 160 mortos.

“Não temos notícias preocupantes no que diz respeito a portugueses”, disse o chefe da diplomacia portuguesa à agência Lusa, numa declaração ao telefone a partir de Ulan Bator, capital da Mongólia, onde participou na Cimeira do Encontro Ásia-Europa (ASEM).

“Estamos a acompanhar o mais de perto possível” a situação na Turquia, afirmou Augusto Santos Silva, indicando que a embaixada de Portugal em Ancara “está a trabalhar ativamente” e que houve “contactos” por parte de portugueses com a representação diplomática na capital turca, “o que é natural”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros garantiu que tem estado “em contacto direto” com a embaixada que, entretanto, “fez publicar conselhos e instruções para que os portugueses que estejam a viver ou de passagem pela Turquia possam ter as melhores condições possíveis de segurança”.

O chefe da diplomacia portuguesa participou numa reunião de ministros de Negócios Estrangeiros de países da União Europeia (UE) presentes na cimeira na Mongólia, convocada pela Alta Representante para a política externa e de defesa da UE, Federica Mogherini, que se realizou às 09:00 (01:00 em Lisboa), para “analisar os acontecimentos em curso na Turquia”.

A chefe da diplomacia europeia emitiu na sequência da reunião uma declaração.

“Em primeiro lugar, nós condenamos a violência contra as instituições democráticas na Turquia e, portanto, apoiamos as instituições democráticas, isto quer dizer, a presidência, o parlamento e o governo turcos; em segundo, apelamos contra qualquer escalada de violência para evitar que os acontecimentos evoluíssem no sentido absolutamente indesejável e, em terceiro, apelamos a que fosse evitada qualquer tipo de violência contra civis”, disse Augusto Santos Silva.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros foram “unânimes nessa consideração”, instando ao “regresso o mais depressa possível à ordem constitucional e, portanto, ao poder civil na Turquia”, realçou.

Segundo meios de comunicação social, que citam a Procuradoria turca, pelo menos 60 pessoas morreram no decurso da tentativa de golpe militar, posta em marcha na sexta-feira e que o Governo diz ter fracassado.