Para Passos Coelho, «é importante desdramatizar a questão do aumento do número de alunos por turma» porque, «claramente, de um modo geral não estamos afastados na média dos países da OCDE».

Na sessão solene de abertura do ano letivo, na sede do Conselho Nacional de Educação (CNE), o primeiro-ministro aludia às estatísticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico que dizem que Portugal tem um professor por cada 10 alunos, sendo que os alunos portugueses têm mais docentes a tempo inteiro do que a média dos 34 países avaliados. Já quanto aos gastos com cada aluno do ensino público, Portugal está abaixo da média.

Segundo o relatório sobre o estado da educação do CNE, relativo ao ano letivo de 2013/2014, «em mais de 56 000

turmas (Ensino Básico e Secundário), verifica-se que 40% das turmas têm entre 20 e 24 alunos e cerca de 31% têm de 25 a 29 alunos. O número médio de alunos por turma é 21,7».

Já quanto aos chumbos numa idade cada vez mais precoce, o chefe de Governo reconheceu que é algo que «deve merecer a nossa reflexão», sem «apontar nenhuma apologia do facilitismo».

O mesmo em relação às creches e infantários: «Chamo também a atenção para a necessidade de completarmos o esforço da rede pré-escolar. Na verdade, esse esforço tem de ser mais alargado ainda».

Sobre o ensino superior, Passos Coelho entende que é preciso «questionar melhor o investimento, leia-se o financiamento, que é dirigido para cursos de fraca empregabilidade». Considerou, ainda, preocupante a menor procura de cursos superiores de áreas tecnológicas, num discurso em que contrapôs a «chamada salsicha educativa» à qualidade do ensino.

«Sabemos que ainda temos um caminho longo a percorrer, porque sabemos melhor do que ninguém que aumentar a chamada salsicha educativa não é a mesma coisa que ter um bom resultado educativo. Foi assim que no passado a generalização de novos graus de ensino não correspondeu a um salto qualitativo mais exigente no produto escolar».