O secretário-geral do PS acusou hoje o primeiro-ministro de revelar «enorme insensibilidade» e de estar «obcecado» pelos mercados ao criticar os socialistas por defenderem junto da troika um défice nunca inferior a cinco por cento em 2014.

«O primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] não para de nos surpreender e aqui bem perto, em Barcelos, criticou-me por ter proposto que a meta orçamental do próximo ano deveria ficar no mínimo em cinco por cento. Tanta insensibilidade. Ele sabe, ou deveria saber, que uma meta de cinco por cento permitiria não fazer cortes retroativos nas pensões, não aplicar a TSU ao conjunto dos reformados e permitiria parar com os despedimentos na função pública», sustentou Seguro.

O secretário-geral socialista disse que, mesmo assim, Pedro Passos Coelho critica o PS «por defender os portugueses junto dos nossos credores». «Tanta insensibilidade só pode vir de alguém que está obcecado com os mercados e que não olha para a realidade que se está a passar no nosso país», criticou António José Seguro.

De acordo com o secretário-geral do PS, em Portugal «há cada vez mais pessoas a serem atiradas para a pobreza e cada vez mais famílias com dificuldades [financeiras] para chegarem ao final do mês».

Depois, lançou uma crítica à coesão do atual Governo, depois de insistir na ideia de que Passos Coelho «está desligado da realidade». «Nós sabemos que no Governo dele ninguém se entende: Um quer o défice flexibilizado, ele diz que não quer o défice flexibilizado. O Governo português não fala a uma só voz, não tem capacidade para defender os interesses dos portugueses, mas isso é lá com eles», referiu Seguro.