O vice-presidente da bancada parlamentar do PSD Miguel Frasquilho afirmou hoje que o partido transmitiu à troika a preferência por uma saída do atual resgate com um programa cautelar por razões de prudência, desde que as condições sejam favoráveis.

«O que transmitimos à troika é que, caso as condições sejam favoráveis, um programa cautelar nos pareceria mais prudente tendo em conta, por exemplo, que os juros da dívida pública portuguesa a dez anos se encontram ainda nesta altura acima do que a Irlanda registava quando saiu do programa», disse o deputado.

Miguel Frasquilho, que falava após uma reunião dos chefes de missão da troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) no Parlamento com os deputados que integram a comissão parlamentar que acompanha a implementação das medidas do programa, disse ainda que questionou a troika sobre as medidas impostas à Irlanda para aceitar um programa cautelar.

Segundo o deputado, o PSD terá confrontado a troika com informações segundo as quais os parceiros europeus teriam imposto à Irlanda condições de tal forma gravosas para que pudesse aceitar um programa cautelar, que isso levou o país a rejeitar essa opção.

Assim, disse o deputado, a preferência do PSD expressada pelo grupo parlamentar nesta reunião seria uma saída com um programa cautelar, desde que com condições favoráveis.

A resposta da troika, segundo o deputado, foi que no final caberia ao Governo português tomar a decisão, sem no entanto confirmar ou desmentir as condições gravosas impostas no cautelar nem expressar qualquer preferência.

Miguel Frasquilho disse ainda que o PSD expressou na reunião «total abertura para a existência de consensos e também de entendimentos alargados, não só na sociedade portuguesa, mas no espetro político também, nomeadamente com o PS», uma vez que considera que o ajustamento terá de continuar e para além dos próximos dois ou três anos.

CDS-PP otimista sobre revisão em alta do crescimento económico este ano

O CDS-PP diz que a atual previsão de crescimento económico para 2014 já é pessimista e recusa falar em avisos da troika sobre a duração de medidas de austeridade, porque o compromisso «termina daqui a dois meses e meio».

Segundo a deputada Cecília Meireles, terá sido «opinião quase unânime» na sala que a previsão de crescimento de 0,8% é já pessimista.

Questionada se a troika teria dito aos deputados que certas medidas teriam de ser tornadas permanentes, a deputada reafirmou que o compromisso com a troika termina em breve.

«Não ouvi nenhum pré-anúncio dessa natureza por parte da troika, além de que o compromisso que Portugal tem com a troika é também ele de um horizonte temporal determinado e que termina daqui a dois meses e meio, portanto seria difícil, para não dizer impossível, que pudesse haver esse anúncio», disse.

Questionada pelos jornalistas sobre a necessidade de continuar o ajustamento, a deputada optou por responder que o partido também não fechava os olhos a «sinais que são consistentemente mais positivos e que progressivamente se fazem sentir na vida, no dia-a-dia e no quotidiano dos portugueses».