O ministro-Adjunto e do Desenvolvimento Regional disse este sábado existir «uma grande diferença» entre estar ou não sob resgate da troika¿ retomando Portugal, com o fim do programa de assistência económico-financeira, «o controlo pleno dos seus destinos».

«Há, desde logo, uma grande diferença entre estar sob resgate e deixar de estar sob resgate», disse o ministro Miguel Poiares Maduro.

O governante falava à agência Lusa durante uma visita à barragem do Alqueva, localizada na «fronteira» entre os concelhos de Portel e de Moura, no âmbito do primeiro de um conjunto de Roteiros por Territórios de Baixa densidade, que iniciou na sexta-feira, no Alentejo.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse, na sexta-feira, em Coimbra que a «ideia de pós-troika é apenas uma frase publicitária», pois «a política de austeridade» do Governo vai continuar, mas Poiares Maduro enumerou o que considera serem diferenças entre estar ou não sob resgate.

«Estar sob resgate» significa «um país que já não conseguia financiar-se, não tinha credibilidade perante credores para conseguir obter financiamento», ficando «na dependência de quem lhe deu esse financiamento», lembrou.

Por outro lado, continuou, «deixar de estar sob resgate é um país que retomou a capacidade de se financiar por si próprio, retomou a credibilidade e retomou um controle pleno dos seus destinos».

«O financiamento é importantíssimo, não é algo que seja irrelevante ou pouco importante. Pelo contrário, é o que permite às nossas empresas investir, criar emprego e riqueza, é o que permite ao Estado pagar os salários e pensões», argumentou.

Por isso, é que «é tão importante» terminar o programa de assistência económico-financeira, para que os portugueses tenham «de novo a capacidade» de serem «senhores plenos» do seu destino, frisou.

Miguel Poiares Maduro cumpre este sábado a segunda jornada deste seu primeiro roteiro por territórios de baixa densidade, visitando infraestruturas e investimentos, privados e públicos, em concelhos do distrito de Beja.

Já na sexta-feira, Poiares Maduro realizou idêntico périplo em municípios do distrito de Évora, terminando o roteiro na segunda-feira, com visitas no distrito de Portalegre.

Segundo o ministro, o Governo está apostado em «promover a competitividade económica» dos territórios de baixa densidade, baseada na valorização dos recursos endógenos, para «inverter um problema de décadas» do país, que são as assimetrias regionais.

«E queremos garantir que o Estado apoia essa transformação competitiva», disse, explicando que, no próximo ciclo de fundos comunitários, o Governo vai «abrir concursos específicos» para municípios destas zonas e «reforçar as taxas de comparticipação» dos apoios para projetos nesses territórios.