O CDS-PP criticou esta quarta-feira a atitude socialista de defender «tudo e o contrário de tudo», sublinhando não ser possível desejar que a troika saia em do país em maio e inviabilizar o Orçamento suscitando a fiscalização da sua constitucionalidade.

«Não é possível ao mesmo tempo defender-se tudo e o contrário de tudo», afirmou a deputada do CDS-PP Cecília Meireles no plenário da Assembleia da República.

Na primeira declaração política do ano do CDS-PP, Cecília Meireles concretizou a acusação, considerando não ser «compreensível» que o PS defenda a conclusão do programa de assistência financeira em maio e, ao mesmo tempo, «querer inviabilizar o Orçamento para 2014 suscitando a sua fiscalização sucessiva».

«Não é possível defender duas posições que na prática são rigorosamente incompatíveis. Ou se quer uma coisa ou se quer a outra», frisou.

Apontando 2014 como «o ano que vai ser muito provavelmente o ano mais significativo desta década», a deputada do CDS-PP anteviu o regresso de Portugal ao «caminho da normalidade», mas advertiu que essa «normalidade» é «bem diferente do caminho da irresponsabilidade».

Por isso, acrescentou, o final do programa de ajustamento não significará que Portugal possa voltar a apresentar défice orçamentais de 9%.

O ano que agora começou, continuou Cecília Meireles, deverá ser também a altura em que «a espiral recessiva sairá do léxico parlamentar».

A deputada do CDS-PP admitiu, contudo, que o programa de ajustamento teve uma consequência muito difícil: o desemprego.

Apesar dos ataques ao PS, apenas as bancadas do PCP e o BE interpelaram a deputada democrata-cristã acerca da sua declaração política, com o deputado comunista Miguel Tiago a criticar a «teia de ilusões» que o CDS-PP tem insistindo, apregoando que «todo um mundo novo se abrirá» depois de concluído o programa de ajustamento.

«Toda a política de austeridade do Governo é um fracasso», acrescentou a deputada do BE Cecília Honório, lamentando a ausência de qualquer sinal de esperança no horizonte.