O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Freitas do Amaral comparou esta terça-feira o programa de ajustamento que Portugal cumpriu a um «pesadelo», considerando que o país se «safou da morte certa» mas terá agora uma «convalescença longa e difícil».

«Para um país como Portugal, como a Grécia, atravessar um período de três anos como aquele que nós atravessámos é um pesadelo, mas sair bem dele não é mais fácil, nem é mais rápido», afirmou o antigo ministro do Governo socialista de José Sócrates, em declarações aos jornalistas à entrada de uma conferência sobre «o pensamento e ação política do padre Abel Varzim», que se realizou na Assembleia da República.

Gracejando que Portugal está como «aqueles doentes que se safaram da morte certa», Freitas do Amaral alertou para a «convalescença longa e difícil» que o país tem agora pela frente.

«Vamos ainda precisar de ter muito juízo, muito cuidado na forma como percorremos este período de convalescença», disse.

Como prioridades para os próximos anos, o fundador do CDS e antigo líder dos democratas-cristãos apontou a necessidade de olhar mais para aqueles que «estão pior».

«O que me parece é que devemos sempre dar prioridade aos que estão pior relativamente aos que estão melhor, devemos pedir mais sacrifícios aos que estão melhor do que àqueles que estão pior, nem sempre isso se fez até agora, espero que se faça daqui para a frente», acrescentou.

Reiterando que o programa de ajustamento «impôs mais sacrifícios do que aqueles que teriam de ser necessários», Freitas do Amaral insistiu que agora é tempo de «reparar os danos».

«Temos de começar a crescer, temos de redistribuir melhor a riqueza no nosso país, temos de olhar mais para os que sofrem, para os que ganham menos, para os que estão no fim da escala social», defendeu, considerando que a manutenção das medidas de austeridade vai depender da forma como governantes, cidadãos, empresários e universidades vão responder ao «grande desafio» que têm pela frente.