O CDS-PP afirmou esta quinta-feira que os partidos da maioria parlamentar rejeitaram junto da troika um «modelo de salários baixos» para Portugal, não adiantando qual foi a resposta que obtiveram da missão internacional.

«Quer o Governo, quer os partidos da maioria deixaram bem claro que não defendem para Portugal um modelo de salários baixos, mais do que isto - esse não foi sequer o tema principal da reunião - terá que perguntar aos próprios elementos da troika», declarou a deputada do CDS-PP Cecília Meireles.

A deputada centrista falava aos jornalistas após a reunião dos deputados da comissão de acompanhamento da aplicação do programa de ajustamento com a delegação da troika, formada pela Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, no âmbito da 10ª avaliação.

A posição expressa por Cecília Meireles tem sido manifestada reiteradamente pelo CDS-PP e pelo seu presidente e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.

As declarações de Cecília Meireles centraram-se, aliás, naquelas que têm sido as posições dos centristas, que voltaram a apontar para o «divórcio e a crescente divergência entre aquilo que muitas vezes são as posições assumidas pelos dirigentes as organizações internacionais e aquilo que depois é a atuação das missões no terreno».

«Naturalmente que nessa matéria foram citadas as declarações da diretora geral do FMI. Mais uma vez salientámos, aliás, no seguimento do que diz a senhora diretora-geral, que a velocidade do ajustamento não é indiferente», num registo da Lusa.

Cecília Meireles defendeu que os sinais «de retoma» económica em Portugal, que «deixam de ser ténues e passam a ser fortes», devem ser «preservados e fomentados».

«Isso também tem que ser levado em conta em cada avaliação e na velocidade do ajustamento que é feito», frisou.

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, admitiu na terça-feira, no Parlamento Europeu, que a instituição que lidera errou ao calcular os efeitos da austeridade nos países europeus em maiores dificuldades, sobretudo os efeitos no desemprego e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Cecília Meireles repetiu a importância para o CDS-PP de Portugal estar a «duas avaliações e a cerca de meio ano de sair do programa de assistência», sustentando que «nunca será de mais dizer que o grande objetivo é precisamente acabar o programa e passar a uma nova fase», o que só acontecerá com avaliações positivas.

«Embora na opinião pública portuguesa, as avaliações positivas são sejam sempre vistas como um dado adquirido, a verdade é que elas não são um dado adquirido, mas são um dado que estamos absolutamente comprometidos em adquirir», declarou.

A equipa da troika' está em Portugal desde 04 de dezembro, no âmbito do décimo exame regular ao programa de ajustamento.