O ministro da Saúde, Paulo Macedo, afirmou esta sexta-feira em Setúbal que o programa de troca de seringas nas farmácias se insere numa estratégia para reduzir o número de novos casos de Sida e promover a melhoria da saúde pública.

«Faz todo o sentido que as farmácias, com uma rede de proximidade em todo o País, possam complementar e apoiar nesta luta contra novos casos de Sida, que felizmente, também têm diminuído», disse Paulo Macedo, lembrando que, em paralelo, continua a ser feita a troca de seringas pelas equipas de rua e nos centros de saúde.

«Nós temos um acordo para este programa decorrer durante um ano. Este acordo o que tem de inovador é o facto de irmos analisar que tipo de ganhos há, em termos de saúde e para os utentes, que é o que interessa ao Ministério da Saúde, e também que tipo de custos é que resultam para as farmácias», acrescentou.


Paulo Macedo falava aos jornalistas durante uma visita a duas farmácias de Setúbal, onde teve início o programa de troca de seringas com o lema «Diz não a uma seringa em segunda mão», em que se fez acompanhar pelo presidente do INFARMED (Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento), Eurico Castro Alves, e pelo presidente da Associação Nacional de Farmácias, Paulo Cleto Duarte.

Segundo Paulo Cleto Duarte, o programa de troca de seringas nas farmácias já tem a adesão de 107 das 195 farmácias do distrito de Setúbal e deverá ser alargado a todo o país até ao próximo mês de março.

«Para nós é um caminho que vale a pena trilhar por uma razão simples: por cada infeção que evitarmos, o Estado e nós todos enquanto contribuintes, poupamos dez mil euros, que, em média, é quanto custa o tratamento anual de um doente com o vírus VIH (vírus da Sida)», disse, lembrando que um estudo sobre o anterior programa de troca de seringas, que decorreu ao longo de oito anos, indicava um «benefício entre 400 milhões de euros e 1.700 milhões de euros».

«Se conseguirmos aumentar o número de seringas trocadas, e com isso prevenir novos casos de infeção, estamos objetivamente a contribuir para a poupança. E o que nós pedimos é que seja partilhado connosco o benefício que ajudarmos a gerar», acrescentou.


Paulo Cleto Duarte anunciou ainda que a Faculdade de Economia da Universidade do Porto foi a entidade designada para fazer, daqui a um ano, a avaliação dos benefícios gerados e propor uma metodologia de remuneração das farmácias.

Além da campanha de troca de seringas, as farmácias podem ter também um papel importante no aumento da venda de medicamentos genéricos, como reconheceu o presidente do INFARMED, Eurico Castro Alves.

«O ano passado tínhamos uma meta de 45% para o ano passado que já foi ultrapassada. Já estamos nos 47%, mas é uma quota medida incluindo medicamentos que não têm genéricos. Se analisarmos só o mercado concorrencial, os genéricos que têm como alternativa medicamentos de marca, já ultrapassou os 60%», disse.


Eurico Castro Alves anunciou ainda que, em 2015, o INFARMED espera conseguir uma quota de 60% de venda de medicamentos genéricos - mesmo considerando os medicamentos de marca que ainda não têm medicamentos genéricos alternativos.