Por: Redacção / HB | 18- 9- 2008 12: 7
Organizar um novo referendo sobre o Tratado de Lisboa na Irlanda seria uma decisão perigosa para o documento, pelo menos
a curto prazo. O alerta foi lançado pelo primeiro-ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, que aponta que o texto não
deverá entrar em vigor antes de 2010.
«Dada a crise que enfrentamos, a falta de confiança, e o a facto de os governos
serem cada vez mais impopulares por toda a Europa, organizar um referendo sobre um tratado europeu podia ser muito perigoso»,
referiu o governante luxemburguês durante um colóquio no think tank European Policy Center, esta quarta-feira.
Depois
de em 2005 os franceses e os holandeses terem dito «não» ao Tratado Constitucional, o documento que se lhe seguiu, saído durante
a presidência portuguesa, acabou por entrar num impasse, com o «não» irlandês ao texto, que reuniu 53,4 por cento na consulta
popular realizada a 11 de Junho.
A saída desta situação que coloca em suspenso a reforma das instituições europeias
e sua adaptação a uma UE com 27 países foi sugerida com a realização de um novo referendo. Mas a actual crise económica da
Irlanda, que durante 25 anos foi o estado da União que mais cresceu, aconselha, segundo Juncker, a cuidados redobrados antes
de se tomar essa decisão. «Se eu fosse o primeiro-ministro irlandês não iria por esse caminho nos próximos meses», salientou.
Nova
data, só no final do ano
O secretário de Estado para a UE, Diego López Garrido, citado pelo jornal espanhol El
País, disse que os países membros manifestaram o seu «apoio à Irlanda para procurar uma maneira melhor para superar o
não ao referendo do Tratado de Lisboa». Mas este apoio não chega, já que constitucionalmente, Dublin terá de submeter o texto
aos seus cidadãos para que seja aprovado, como admitiu Garrido. «Corresponde aos irlandeses propor a via alternativa», afirmou.
Apesar
da recente estratégia de Nicolas Sarkozy, o presidente da França – que se encontra na presidência rotativa da UE -,
passar pela convocação de um referendo, a incerteza económica parece desaconselhar precipitação nesta matéria.
O
primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, deverá apresentar um relatório sobre a situação do seu país, em meados de Outubro
e fontes comunitárias apontam que não será anunciada uma data para um novo referendo antes de Dezembro, segundo noticia o
El País.
Suécia e República Checa
Além da Irlanda, a Suécia e a República Checa também não
ratificaram o Tratado de Lisboa. Os nórdicos tinham previsto esta decisão para Novembro, mas foi adiada, embora se espere
que seja tomada até ao final do ano.
Quanto aos checos, estão à espera que o Tribunal Constitucional decida se o
texto está de acordo com a constituição do seu país. Além disso, na República Checa não há consenso claro sobre este tema
entre o Governo, que pretende a ratificação documento, e o presidente da república, Václav Klaus, que diz que a sua assinatura
do Tratado de Lisboa não acontecerá antes de um sim irlandês.
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