A coordenadora do Bloco de Esquerda denunciou hoje que a PT já está a contratar trabalhadores temporários para ocuparem o lugar daqueles que pretende despedir, situação que o partido já denunciou à ACT,

O BE enviou já para a Autoridade para as Condições do Trabalho [ACT] este anúncio de empregos temporários para a mesma empresa onde a PT está a despedir, para que ninguém tenha dúvidas de que o que a PT está a fazer é ilegal”

Catarina Martins, que falava na praia fluvial de Valhelhas, concelho da Guarda, onde participou num convívio de verão dos bloquistas, abordou a questão dos trabalhadores de PT/MEO, reiterando que a transferência de funcionários da PT para empresas de trabalho temporário é uma forma “fraudulenta” de dispensar trabalhadores. O que está em causa, no entender do Bloco, “é um dos maiores processos de despedimento e de precarização do trabalho”, que já se viu em Portugal.

Depois de afirmar que “isto não pode passar”, até porque representaria “carta-branca” para outras empresas que quisessem fazer o mesmo, a líder bloquista denunciou ainda que a PT está a levar a cabo um processo de contratação de trabalhadores temporários, cujo anúncio foi até dado a conhecer aos atuais funcionários.

Escreveu uma carta aos mesmos trabalhadores que está a dispensar, perguntando se têm amigos que queiram ir para uma empresa de trabalho temporário trabalhar na MEO. A PT está a dizer aos trabalhadores que está a despedir - porque diz que tem gente a mais - que quer contratar os seus amigos para uma empresa de trabalho temporário que vai fazer o mesmo serviço que eles estão a fazer na MEO; quanto desplante, quanto desrespeito pelos trabalhadores”.

Classificando a situação de “inarrável”, Catarina Martins mostrou-se convicta de que a situação comporta uma situação de “fraude” e voltou a apelar à intervenção do Governo. “(…) É uma fraude e o Governo português não pode deixar passar porque nós temos de ser um país em que quem trabalha é respeitado”, acrescentou, citada pela Lusa.

O grupo Altice, que adquiriu a PT Portugal há dois anos, anunciou a 14 de julho que chegou a acordo com a espanhola Prisa para a compra da Media Capital, dona da TVI, numa operação avaliada em 440 milhões de euros.