O deputado do PS Alberto Martins, que liderou a comitiva socialista nas negociações tripartidas pela «salvação nacional» sugerida pelo Presidente da República, afirmou esta quarta-feira que o Governo da maioria estava e está impreparado e em «remodelação constante».

Por seu turno, PSD e CDS-PP criticaram a opção do PS pela «politiquice» e pela «intriga» até porque os socialistas tinham condenado a anterior escolha de um executivo reduzido, com superministérios, e voltaram agora a mostrar descontentamento pelo novo figurino, «mais tradicional«.

«O atual Governo é um Governo velho, com a política errada, que tenta iludir os portugueses através de um novo remendo, apelidado de remodelação. Este ano, já vamos em cinco e só este mês foram duas (remodelações). Está em permanente remodelação até que chegue o momento de os portugueses o remodelem de vez», afirmou Alberto Martins, em sessão plenária da Assembleia da República.

Segundo o parlamentar do PS, os partidos da maioria «não estavam nem estão preparados para governar Portugal» e «vale tudo para manter o poder», referindo-se ao aumento de 11 ministros, no início, para os atuais 14.

«O partido mais votado é agora o segundo da coligação», ironizou o deputado do PS, devolvendo as acusações de «politiquice» com o episódio de «um ministro de Estado (Paulo Portas), que se demite com decisão irrevogável e, passados uns tempos, é vice-primeiro-ministro», disse aconselhando um «espelho» às bancadas da maioria.

O social-democrata Luís Menezes e o democrata-cristão Telmo Correia acusaram ainda o PS de não adiantar qualquer proposta e questionaram os socialistas sobre o que estavam realmente dispostos a aceitar para cumprir o memorando acordado com a troika.

«Vimos aqui uma manobra de puro taticismo político do PS. Foi-nos conferido um mandato, com esta remodelação, que exige maior coesão e responsabilidade aos partidos da maioria e ao Governo», afirmou Menezes, enquanto Telmo Correia disse que «a trica política não resolve nada», aconselhando Alberto Martins a não ir «por aí, pela intriga entre os dois partidos».

O deputado socialista prometeu que o seu partido não faltará «nunca ao país numa situação de emergência» e criticou a restante oposição por se autoexcluir.

«Não fugiremos e assumiremos as nossas responsabilidades», afirmou, defendendo o «fim da ditadura da austeridade e uma política de crescimento e de emprego».

Os deputados do PCP e do BE António Filipe e Cecília Honório tinham acusado o PS de «dar a mão ao branqueamento de um Governo derrotado», por se sentar à mesa com PSD e CDS-PP, e os parlamentares da maioria de protagonizarem «um faz de conta que não se passou nada», conta a Lusa.