O primeiro independente eleito presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, toma hoje posse depois de alcançar com o PS um acordo para a governabilidade do município, sucedendo a 12 anos de coligação PSD/CDS liderada por Rui Rio.

Numa cerimónia que conta com a presença do socialista António Costa, reeleito presidente da Câmara de Lisboa nas autárquicas de setembro, o empresário de 57 anos vai ser empossado pelas 16:00 nos Paços do Concelhos por um dos mandatários da sua candidatura, o atual presidente da Assembleia Municipal do Porto, Valente de Oliveira (PSD).

O pacto com os socialistas inclui a atribuição de «pelouros a vereadores eleitos pelo PS» mas a distribuição de funções só será anunciada na segunda-feira, na primeira reunião do executivo.

Moreira, que já anunciou querer assumir a pasta da Economia e o regresso do pelouro da Cultura, optou por atribuir a vice-presidência da autarquia à número três da lista, Guilhermina Rego, vereadora de Rui Rio até ao fim do mandato, que em agosto anunciou desfiliar-se do PSD para integrar as listas do independente.

Da lista de vereadores de Moreira fazem ainda parte Sampaio Pimentel, do CDS, Paulo Cunha e Silva (ex-programador da Porto 2001), Filipe Araújo (deputado na Assembleia Municipal do Porto entre 2005 e 2009) e Cristina Pimentel (vereadora do PS na autarquia durante o primeiro mandato de Rio, entre 2002 e 2005).

O ex-presidente da Sociedade de Reabilitação Urbana do Porto e da Associação Comercial do Porto, que durante a campanha contou com o apoio do CDS e de notáveis do PSD, obteve nas autárquicas de 29 de setembro 39,25 % dos votos, contra 22,68% do PS e 21,06% da coligação liderada pelo PSD, cujos candidatos eram Manuel Pizarro e Luís Filipe Menezes, respetivamente.

A possibilidade de «fazer diferente» a partir do Porto e a importância de criar «pela primeira vez» um município livre de «peias partidárias» para «fazer sempre as mesmas exigências, dar o exemplo e ser uma voz» foram destacados pelo independente, que tem que resolver com o Governo os impasses da Sociedade de Reabilitação Urbana e dos terrenos do aeroporto do Porto.

Para Miguel Sousa Tavares, a vitória de Moreira «foi um exemplo para Portugal», porque «entre a demagogia e o juízo» acharam que «era melhor o juízo».

De acordo com o comentador político, o rigor das contas é essencial porque Moreira tem de fazer aquilo de que Portugal precisa: «bem e melhor com menos dinheiro».

Para os politólogos António Costa Pinto e Carlos Jalali, um dos principais desafios do independente é adquirir experiência política para gerir um quotidiano autárquico partidarizado.

A cerimónia de tomada de posse está marcada para as 16:00 no edifício da Câmara do Porto.