O primeiro discurso de António Costa como primeiro-ministro de Portugal foi um discurso de "garantia". O líder do XXI Governo Constitucional defendeu a legitimidade do novo Executivo, sublinhando que este nasceu "de um compromisso político maioritário", que corresponde "à vontade expressa pelos cidadãos". O tom foi de serenidade. Costa prometeu "moderação", salientado que este é o "tempo de reunião", "não de radicalização".

"Este é um Governo de garantia. De garantia pelo Estado de Direito Democrático, garantia de respeito pela lei fundamental que é a Constituição da República Portuguesa,  garantia pelo respeito dos compromissos internacionais e o lugar de Portugal na União Europeia, na zona euro e na comunidade internacional." 


Depois de (quase) todos os membros do seu elenco governativo terem assinado o compromisso de honra - faltou o Secretário de Estado da Internacionalização, que está ausente do país -, António Costa dirigiu-se pela primeira vez aos portugueses como primeiro-ministro. Assegurou que este é um Governo "confiante", que não teme o futuro, mas que está consciente das dificuldades que tem pela frente.

 "Não minimizo as dificuldades que temos pela frente . Mas o Governo que hoje toma posse não é um governo temeroso, de futuro angustiado com o peso das suas competências, ou preso de movimentos. Este é um governo confiante."


Respondendo às críticas que têm surgido da direita, o líder socialista frisou que o Executivo nasce de um "compromisso político maioritário", que corresponde "à vontade expressa pelos cidadãos" nas eleições. E continuou a defender a legitimidade do Governo, argumentando que a nova solução política valoriza "o pluralismo parlamentar e diversifica as alternativas ao dispor" do país.

"O Parlamento livremente eleito pelo povo é tão plural como quem o elegeu. O Governo está perfeitamente à altura da responsabilidade e é fruto de um compromisso político maioritário, correspondendo à vontade genuinamente democrática expressa pelos cidadãos. A solução política valoriza o pluralismo parlamentar, diversifica as alternativas ao dispor dos portugueses e contribuiu para enriquecer a democracia."


Costa foi mais longe, afirmando que "a democracia portuguesa ficou demasiado tempo refém de exclusões que limitavam o leque de soluções políticas possíveis e defraudavam o sentido do voto de boa parte dos nossos concidadãos."

Recordou o legado do Governo anterior para dizer que o trajeto seguido "deixará marcas profundas por muito tempo", com uma sociedade "mais pobre e desigual" e uma "economia mais enfraquecida". Costa vincou que é preciso "sarar as feridas", mas com "moderação". Estendendo, assim, a mão à direita, o primeiro-ministro afirmou que este é o tempo de "reunião", não de radicalização.

"Este é o tempo da reunião. Não é de crispação que Portugal carece, mas sim de serenidade. Não é altura de salgar as feridas, mas sim de sará-las."


E reiterou o cumprimento dos compromissos internacionais, afirmando que o lugar de Portugal é "na União Europeia e na zona euro, na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPL) e na grande ligação atlântica, incluindo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO)".

"Portugal afirma-se em todos estes domínios através das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, da qualidade da sua diplomacia, bem como na cooperação para o desenvolvimento e na segurança cooperativa, designadamente através das Forças Armadas."


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