O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros tem «uma fundada esperança» de Portugal possa fazer as pazes com Timor-Leste, que expulsou sete magistrados portugueses.

«Temos uma fundada esperança de que num tempo relativamente curto os aspetos de perturbação que se fizeram sentir possam ser reparados», disse esta quarta-feira Rui Machete, numa audição conjunta das comissões parlamentares de Negócios Estrangeiros e de Finanças, a propósito da proposta do Governo sobre o Orçamento do Estado para o próximo ano. Rui Machete considerou que «haverá a possibilidade de continuar tranquilamente a realizar essa cooperação».

Na sua intervenção, em que respondia a questões de deputados do PSD e do PS sobre o estado da cooperação com Díli, o chefe da diplomacia portuguesa afirmou que Portugal continua «evidentemente a reputar Timor-Leste como um país amigo» e lembrou que o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, fez declarações reiteradas no mesmo sentido.

«Entendemos limitar o problema de uma reavaliação imediata com suspensão de atividade àquelas atividades dos magistrados que foram alvo da expulsão em termos concretos. Mantemos os nossos propósitos de continuar essa cooperação, que é aliás muito vasta», declarou, citado pela Lusa.

Machete recordou que o Governo, através do seu ministério, «deplorou as súbitas revogações de vistos» aos magistrados e faz depender a participação portuguesa em programas de cooperação «dos esclarecimentos que venham a ser prestados pelas autoridades timorenses», sublinhando a disponibilidade do ministro da Justiça timorense de vir a Portugal para discutir o assunto com a ministra da tutela, Paula Teixeira da Cruz.

Na sua intervenção inicial, o ministro anunciara que esta terça-feira o Governo autorizou a renovação de 81 docentes no âmbito do projeto de formação inicial e contínua de professores, no âmbito do programa estratégico de cooperação com Timor.