António Costa sublinhou que Tiago Oliveira não é acionista nem tem qualquer interesse na Navigator e que "tem um prestígio internacional à prova de bala”. O engenheiro florestal, escolhido pelo Governo para chefiar a unidade de missão sobre os incêndios, foi o protagonista ausente do debate sobre a moção de censura ao Governo, apresentada pelo CDS.

“O engenheiro Tiago Oliveira não é acionista nem tem qualquer interesse na Navigator. É alguém com um currículo profissional e cívico, desde bombeiro e sapador florestal a doutorado sobre gestão de risco e a especialista em gestão de incêndios, é uma pessoa que a nível nacional e internacional tem um prestígio à prova de bala e cuja independência é, aliás, atestada pela vasta bibliografia que está publicada e que atestam o seu pensamento e a sua liberdade de pensamento."

O primeiro-ministro esclareceu ainda que Tiago Oliveira não terá como missão gerir a floresta, mas gerir "a transição do modelo de prevenção e combate aos fogos", uma área em que tem "trabalhado toda a sua vida".

A missão que lhe foi confiada não foi a de gerir a floresta. Foi a de gerir a transição de modelo de prevenção e combate aos incêndios florestais que é a sua área área, que é a sua tese doutoramento e na qual tem trabalhado toda a sua vida."

Tiago Oliveira é responsável pela área da proteção florestal do grupo Navigator, que se dedica ao fabrico e comercialização de papel. Esta terça-feira, tomou posse, em São Bento, como presidente da Estrutura de Missão para a instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais.

As garantias de Costa sobre o responsável foram deixadas após uma intervenção de Heloísa Apolónia, dos Verdes. A deputada do PEV questionou a credibilidade do engenheiro florestal por este trabalhar num grupo "que tem interesses e negócios ligados à floresta".

Foi nomeado o engenheiro Tiago Oliveira. Neste momento o país precisa de alguma credibilidade nas escolhas que se fazem e quando o primeiro-ministro nomeia uma pessoa que vem do grupo Navigator, que tem interesses e negócios ligados à floresta é normal que as pessoas se questionem se essa pessoa terá a credibilidade para dar as respostas que o país precisa."

Já antes, a líder do CDS, Assunção Cristas, tinha deixado uma farpa sobre esta nomeação, quando confrontada com as críticas à lei que aprovou, enquanto ministra da Agricultura do Governo PSD/CDS, para promover a liberalização do eucalipto.

"Acabaram de nomear uma pessoa que vem da área do eucalipto para salvar o país", sublinhou Cristas.

A nomeação de Tiago Oliveira parece não ter caído bem entre as forças políticas que apoiam o Governo. Nesta terça-feira, em declarações ao jornal “Público”, o deputado do Bloco de Esquerda Pedro Soares admitiu que o partido viu com "surpresa e estranheza" esta nomeação.