Os novos ministros para a Educação, Ciência e Ensino Superior poderão “fazer diferente e melhor”, mas é preciso que “dialoguem, negoceiem e comecem a resolver problemas”, considera o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof). Já a Federação Nacional da Educação espera que o novo ministro da tutela saiba ouvir, consensualizar e mobilizar no sentido de uma maior qualidade e equidade no sistema educativo.

Começando pela Frenprof, Mário Nogueira afirmou que, com os últimos dois ministros para a área, “as coisas estavam muito mal” e que a nova equipa - Manuel Heitor, como ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, e o investigador Tiago Brandão Rodrigues, como ministro da Educação - “dá algumas garantias de poder fazer diferente e melhor”.

A autonomização do ensino superior e da ciência não mereceu para Mário Nogueira nenhum comentário, porque, disse à Lusa, o que interessa são as políticas, ainda que agora possa haver uma “atenção maior” para a área da ciência.

Quanto ao facto de o ministro da Educação não ter experiência na área e ter vivido fora do país durante vários anos, Mário Nogueira considera que tal pode ser uma vantagem, já que pode abordar as questões da educação “sem preconceitos nem vícios”.

“Talvez seja capaz de fazer as modificações necessárias”, muitas delas dentro do próprio Ministério, porque “o aparelho administrativo muitas vezes obstaculiza mudanças, ou dificulta-as”, disse.

Em relação ao ministro da Ciência, Mário Nogueira lembrou que o professor foi crítico dos cortes no setor, pelo que há expectativa de que fará melhor e que responderá “positivamente ao que dele se espera”.

De ambos, o sindicalista espera que comecem a resolver problemas e que deem sinais de que estão criadas condições para garantir uma viragem no setor.

A FNE, por sua vez, diz que "aquilo que se pede ao ministro da Educação é que tenha uma grande capacidade de ouvir, de consensualizar, de saber mobilizar os parceiros para as mudanças necessárias para um sistema educativo que deve ser de maior qualidade. A qualidade e a equidade têm de estar na primeira linha dos objetivos do Governo e do ministro da Educação”.

João Dias da Silva espera do novo ministro da Educação uma “grande capacidade para implementar políticas que alterem” as medidas que têm “introduzido insatisfação no sistema educativo”, quer no que diz respeito aos professores, como no que concerne “à sociedade em geral, devido a uma alteração constante das regras”.

“Aquilo de que precisamos é que as políticas educativas sejam duradouras, estabelecidas na base de concertação, de diálogo, de consenso”


A FNE disponibiliza-se, desde já, para ser parceiro “na identificação de soluções que preservem a qualidade e equidade” desejadas para o sistema educativo, “com respeito e consideração por todos os trabalhadores, docentes e não docentes, dando-lhes autoridade e fazendo com que sejam reconhecidos e valorizados pela sociedade”.

Dias da Silva destacou ainda à Lusa a divisão da área educativa em dois ministérios – o da Educação e o da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior -, esperando que os dois se articulem.

“Esperamos que haja boa articulação entre os dois ministérios, porque existe lógica de continuidade no sistema educativo. Tem de haver diálogos, tem de haver pontes e compromissos comuns relativamente ao que pretendemos: que os alunos sejam o melhor preparados possível pelas nossas escolas, seja qual for o nível de ensino que frequentam”, afirmou o responsável da FNE.

Referindo não conhecer “intervenções públicas” de Tiago Brandão Rodrigues sobre as áreas da “organização e do sistema educativo”, o secretário-geral notou que, com a nomeação do novo ministro, “não estão em causa pessoas”, mas a “política global do Governo, particularmente as políticas de Educação”.

Quanto ao ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, diz tratar-se de uma “pessoa com experiência, com conhecimento, que já trabalhou com o professor Mariano Gago e tem tido intervenção pública na área da Ciência”, designadamente “com preocupações na alteração do regime de financiamento” do setor.

“Queremos perceber em que sentido é que estas mudanças irão ocorrer no quadro global do Governo”, destacou.