O vice-primeiro-ministro classificou esta quinta-feira o atentado à revista parisiense Charlie Hebdo, que provocou a morte a 12 pessoas na quarta-feira, como um ato de «violência extrema» e de «radicalidade na ausência de sentimentos de humanidade».

Paulo Portas, que falava no encerramento do encontro anual de delegados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), abordou o tema do atentado sem citar o nome da revista, quando falava das incertezas externas.

«Todos nós sabemos que há incertezas externas que não diminuíram de intensidade», afirmou o vice-primeiro-ministro, apontando que há «fatores novos, pelo menos na sua dimensão, que a uns ajudam, a outros impactam negativamente».

Esse é o caso «dos preços do petróleo, que no caso português ajuda, mas para alguns mercados para onde exportamos prejudica», adiantou perante uma plateia de 23 delegados, a administração da AICEP e o secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, Pedro Gonçalves.

«Temos uma grande sensibilidade e multiplicação de fatores de incerteza na ordem económica e política global. Numa semana podemos ter uma notícia positiva como, finalmente, o degelo entre os Estados Unidos e Cuba e a importância que isso pode ter, e numa manhã sermos testemunhas da disseminação do terrorismo, multiplicado por organizações, capaz de fazer recrutamento nas próprias sociedades ocidentais, usar de uma violência extrema, de uma radicalidade na ausência de sentimentos elementares de humanidade e de humanismo e atingindo valores que nós não abdicamos, desde logo os que se prendem com a liberdade e com a sua expressão», afirmou Paulo Portas.

O governante, que disse gostar fazer «uso de realismo nestas intervenções de início de ano«, defendeu a necessidade de uma "dose de esperança e de confiança» para 2015.

«Essa esperança é realista, não ignora fatores de incerteza, mas no caso específico de Portugal há margem para afirmar a singularidade e diferença do caso português» no exterior, sublinhou.