A dirigente social-democrata Teresa Leal Coelho sustentou esta terça-feira que a troca de dívida pública e a venda de ações dos CTT foram «operações de sucesso» e mostram que, apesar da «crispação interna», os mercados confiam em Portugal.

«Hoje o dia é marcado por duas operações de sucesso», declarou a vice-presidente do PSD aos jornalistas, na Assembleia da República. «Os investidores em Portugal consideram que, apesar de toda a crispação interna, podem seguir o seu caminho com confiança em Portugal, o que permitiu a troca de dívida de curta maturidade para uma maturidade mais longa», acrescentou.

Questionada pela comunicação social, Teresa Leal Coelho esclareceu que estava a referir-se «a toda a crispação, que obviamente envolve também o PS, na contestação do percurso» seguido pelo Governo PSD/CDS-PP.

No seu entender, o executivo «tem seguido um percurso muito difícil na recuperação económica e financeira de Portugal», sem os desejáveis «consensos alargados»,em termos políticos e sociais que se verificam noutros países.

«O PSD tem feito um esforço enorme no sentido de criar consensos, no entanto, a verdade é que há um conjunto de obstáculos que são sistematicamente introduzidos no plano da contestação política, que é legítima, mas que pelos vistos não afeta a confiança que os mercados têm no rumo de Portugal», alegou a deputada.

Segundo Teresa Leal Coelho, na operação de troca de dívida pública realizada hoje - que 'empurrou' para 2017 e 2018 cerca de 6,64 mil milhões de euros que tinham originalmente de ser pagos em 2014 e 2015 - os mercados deram uma «nota muito positiva» a Portugal.

«Estamos a alguns meses da saída do memorando de entendimento e estes sinais de confiança são absolutamente vitais para o nosso regresso pleno ao mercado», considerou.

Quanto à venda de ações dos CTT - Correios de Portugal, a dirigente social-democrata afirmou: «Apesar de toda a contestação quanto ao modelo, nós verificámos que este modelo da venda de ações era o modelo correto, e foi o modelo que o mercado aceitou.»

Teresa Leal Coelho referiu que se verificou a compra de «60% do capital dos CTT, como estava previsto, e a preços com um intervalo bastante razoável em termos de mercado».

PSD sem nada a esconder sobre subconcessão dos estaleiros

A dirigente social-democrata afirmou também hoje que o PSD ainda não apreciou a proposta de inquérito parlamentar à gestão pública dos Estaleiros de Viana do Castelo, mas nada tem a esconder sobre a sua subconcessão.

«Essa questão ainda não foi apreciada no âmbito tanto da direção do PSD como da direção do grupo parlamentar, mas aquilo que eu lhe posso dizer é que o PSD não tem nada a esconder no que diz respeito a este processo da venda, da subconcessão dos Estaleiros de Viana do Castelo», declarou.

Teresa Leal Coelho, que é deputada e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD e também vice-presidente da Comissão Política Nacional do PSD, ressalvou que não estava habilitada a transmitir a posição do seu partido quanto à proposta de inquérito parlamentar feita pelo PCP, que até agora recebeu apenas o apoio do Bloco de Esquerda.

A dirigente social-democrata defendeu a ação do atual ministro da Defesa, Aguiar-Branco, e do Governo PSD/CDS-PP nesta matéria.

«Aliás, os erros no passado que se cometeram relativamente aos Estaleiros de Viana do Castelo foram detetados pela Europa, pela Comissão Europeia, e os constrangimentos são constrangimentos que foram fixados pelo direito da União Europeia. Uma parcela enorme da nossa ordem jurídica não é a ordem jurídica portuguesa, é a ordem jurídica da União Europeia», assinalou, sustentando que o executivo, «apesar de todas as dificuldades, levou a bom termo um processo muito difícil», com uma solução «que dá garantias de futura sustentabilidade dos estaleiros».