O dirigente do CDS-PP Telmo Correia garantiu este sábado que «o partido será ouvido» numa eventual coligação pré-eleitoral com o PSD nas legislativas, defendendo a convocação de um referendo interno.

Numa intervenção para apresentar a moção de estratégia do líder, Paulo Portas, ao XXV Congresso do CDS, que decorre hoje e domingo em Oliveira do Bairro, Telmo Correia defendeu também que a crise política do verão foi «positiva» e fortaleceu o Governo.

Telmo Correia atacou ainda os «setores radicais» de uma Aula Magna «saudosista do PREC [Processo Revolucionário em Curso]».

Dirigindo-se diretamente ao líder da tendência Alternativa e Responsabilidade (AR), Filipe Anacoreta Correia, Telmo Correia rejeitou que o Governo em que os centristas participam tenha falhado, elogiando os ministros do CDS.

«Como é possível, meu caro Filipe, dizer que o CDS no Governo falhou?», questionou.

Telmo Correia disse que os congressistas consideraram «claras e satisfatórias" as explicações de Paulo Portas, hoje de manhã, sobre a crise política do verão.

«Na crise de julho, o importante é que vencemos a crise, não fomos vencidos por ela, vencemos essa crise. Como disse e bem o primeiro-ministro de Portugal na Assembleia da República, o Governo está mais forte, está mais coeso e está mais solidário. Portanto, esta crise foi uma crise positiva, foi uma crise de crescimento, e foi uma crise que nos vai ajudar a vencer os desafios que temos pela frente», defendeu.

Sobre uma eventual coligação pré-eleitoral com o PSD para as eleições legislativas, Telmo Correia adiantou que «o partido será ouvido, será tido e achado nessa decisão», para a qual, considerou, haverá tanta «mais pressão» quanto mais bem-sucedido for o Governo.

«Se for esse o entendimento, o nosso Conselho Nacional, se necessário, apelará aos militantes e convocará um referendo, para que o partido se pronuncie em referendo se aceita, se quer, a possibilidade de entendimento futuro em legislativas. Essa é a garantia», afirmou.

Telmo Correia pediu que o Congresso ratifique o compromisso de Paulo Portas para com Passos Coelho de os dois partidos se apresentarem coligados às europeias, argumentando que, apesar de o CDS-PP gostar de ir sozinho a votos, o «interesse nacional» impõe esse entendimento.

Referindo-se a notícias que dão conta de uma eventual ida de Paulo Portas para um cargo de comissário europeu, Telmo Correia defendeu que este não é o momento para discutir a sucessão do presidente centrista.

«Não viemos discutir uma sucessão que não está em aberto, viemos para confirmar uma liderança. Não viemos aqui para discutir o pós-Portas, o pós-portismo, viemos para garantir o pós-troika», prosseguiu.

Telmo Correia referiu-se ainda à «tentativa de radicalização» da sociedade portuguesa levada a cabo por «setores da política portuguesa».

«Uma radicalização que todos conhecemos, que passa pela tentativa de aumento da tensão social, que passa pelos protestos sistemáticos que nós assistimos nas galerias do parlamento, tenham esses protestos ou não por debaixo dos casacos, t-shirts da Câmara do Seixal [governada pelo PCP]», acusou.

«Às vezes têm, outras não têm, mas o certo é que há ali uma tentativa de tensão social, que passa pelo aumento das greves e passa também pelo que chamaria uma espécie de Aula Magna radical que vai desde saudosistas do PREC, desde o major Otelo a um ex-Presidente da República, como Mário Soares», afirmou.