O vice-presidente da bancada socialista José Junqueiro interrogou-se se o Presidente da República tem agora «melhor informação», designadamente sobre a situação atual do primeiro-ministro, dúvida interpretada como uma «insinuação» por parte do PSD e CDS.

Falando em plenário, no período de declarações políticas, na Assembleia da República, José Junqueiro referiu-se às notícias sobre a existência de dúvidas no percurso de Pedro Passos Coelho como deputado do PSD entre 1995 e 1999, nomeadamente se esteve ou não em regime de exclusividade, ou sobre as condições em que solicitou o subsídio de reintegração em 1999.

«O primeiro-ministro, pelos motivos conhecidos, introduziu na opinião pública a ideia de que se poderia ir embora. Nada pior para um Governo do que uma instabilidade ao mais alto nível, nada pior para o país do que um governo perdido na confusão dos seus dias», começou por apontar o ex-secretário de Estado socialista.

José Junqueiro aludiu depois indiretamente à controvérsia em torno da empresa Tecnoforma, considerando compreensível que, «num primeiro momento, a memória de anos não estivesse ativa», mas já não sendo «tão fácil de aceitar que decorridos estes dias a mesma [memória] não tivesse sido recuperada através do esforço pessoal e voluntário».

«É necessário o próprio dilucidar rapidamente as dúvidas existentes, a não ser que?, a não ser que?», disse o deputado socialista, usando um tom de dúvida e não completando a frase.

A seguir, o vice-presidente da bancada do PS deixou um recado ao Presidente da República, Cavaco Silva: «Resta saber, mais uma vez, se o Presidente da República tem melhor informação e continua a pensar que está tudo bem».

Os líderes parlamentares do PSD, Luís Montenegro, e do CDS-PP, Nuno Magalhães, reagiram imediatamente com palavras duras à intervenção de José Junqueiro, considerando ambos que o dirigente socialista fizera «uma grave insinuação».

«O senhor deputado não fez mais do que tentar adensar as especulações e suspeitas em relação ao primeiro-ministro, mas temos total confiança num primeiro-ministro que já deu provas suficientes de idoneidade», respondeu Luís Montenegro.

No mesmo sentido, Nuno Magalhães afirmou que José Junqueiro fez uma espécie de «revista de imprensa, queimou tempo (como se diz em futebol), até chegar ao ponto que lhe interessava realmente».

«[José Junqueiro] fez depois uma insinuação sonsa. O CDS tem total confiança na palavra do primeiro-ministro», frisou Nuno Magalhães.

Perante a intervenção do dirigente da bancada socialista, o presidente do Grupo Parlamentar do PSD referiu-se «ao debate deprimente» entre os dois candidatos às primárias socialistas, António Costa e António José Seguro.

Em seguida, insurgiu-se então contra as alusões de José Junqueiro, quer ao fator estabilidade política, quer à forma como o Presidente da República estará eventualmente a acompanhar a situação de Pedro Passos Coelho.

«Não há nenhum cenário de fuga às responsabilidades do primeiro-ministro e do PSD. Os senhores [do PS] é que querem eleições antecipadas desde o primeiro dia desta legislatura, mas não as vão ter, porque vamos cumprir o nosso programa até ao fim», declarou o líder parlamentar social-democrata, recebendo uma prolongada salva de palmas.

Pelo lado das restantes forças da oposição, tanto Cecília Honório (Bloco de Esquerda), como António Filipe (PCP), defenderam que o primeiro-ministro deve desfazer todas as dúvidas «o mais rapidamente possível».

«Ao contrário do que afirmou o primeiro-ministro, não é a Procuradoria Geral da República em primeira linha que deve esclarecer, mas sim o próprio [Pedro Passos Coelho]», advogou o deputado do PCP.