O Bloco de Esquerda admite propor uma comissão de inquérito a à situação do primeiro-ministro quando era deputado e o secretário-geral do PS admite apoiar essa eventual comissão. António José Seguro diz que o mais importante é que Passos Coelho esclareça o país.

«O Partido Socialista, por princípio, tem uma posição sempre favorável ao apuramento da verdade seja em comissão de inquérito seja noutra situação qualquer», disse esta quinta-feira aos jornalistas. O importante é que «o primeiro-ministro esclareça o país», nomeadamente sobre «se recebeu dinheiro de uma empresa e não o declarou em IRS, se estava ou não em exclusividade, porque é que pediu a reintegração e o consequente subsídio de reintegração», cita a Lusa.

Para o líder do PS, Pedro Passos Coelho «deve um esclarecimento ao país» e não deve remeter os esclarecimentos para a Procuradoria-Geral da República.

«O primeiro-ministro não está acima da lei», sublinhou, reafirmando a exigência de «transparência na vida pública», seja para «os membros do PS, para todos os titulares de cargos públicos» ou, «por maioria de razão para o primeiro-ministro», concluiu, nas Caldas da Rainha onde visitou esta quinta-feira as Faianças Bordallo Pinheiro.

A revista «Sábado» noticiou na semana passada que a Procuradoria-Geral da República recebeu uma denúncia sobre alegados pagamentos do grupo Tecnoforma a Passos Coelho quando este desempenhou funções de deputado em exclusividade entre 1995 e 1999 (e que ascenderiam a 150 mil euros) e o jornal Público ter revelado que, no final do seu mandato, o atual primeiro-ministro requereu - e foi-lhe concedido - um subsídio de reintegração de cerca de 60 mil euros, por ter invocado essa mesma exclusividade.

Se Passos Coelho fugiu ao fisco e mentiu ao Parlamento é a dupla pergunta que falta responder. Em vez de explicar por ele próprio, primeiro-ministro pede que seja PGR a esclarecer se cometeu algum delito e, por isso, já enviou um pedido de esclarecimento nesse sentido.