É o próprio vice-primeiro-ministro, que usa a expressão «pingue-pongue», mas para recusar entrar nessa onda com António Costa sobre as taxas que já são mais conhecidas por taxinhas. No entanto, Paulo Portas deixou esta quarta-feira uma sugestão ao presidente da câmara de Lisboa e candidato a primeiro-ministro para que reflita e reveja as futuras taxas turísticas de Lisboa

«Não vou entrar num pingue-pongue com o Dr. António Costa, mas vou ser pragmático e dar uma sugestão que eu acho que ajuda a resolver o problema. (...) Refletir um bocadinho mais e rever moderadamente uma posição não fica mal a ninguém», disse Paulo Portas, citado pela Lusa, em declarações aos jornalistas, numa reação ao desafio lançado, na terça-feira, pelo autarca socialista, que desafiou o vice-primeiro-ministro a esclarecer quanto cobram os organismos governamentais por passageiro que desembarque em Lisboa e qual a receita do Estado com dormidas na capital.

Isto depois de o líder do CDS e vice-primeiro-ministro ter considerado, na terça-feira, que é arriscar matar a atual «galinha dos ovos de ouro» do crescimento da economia, que é o setor do turismo. «Já se percebeu que impor três taxas ao turismo tem o potencial de prejudicar o crescimento económico e o emprego, já se percebeu que pode haver inúmeros problemas jurídicos e operacionais», disse Paulo Portas, para quem o argumento apresentado pelo autarca socialista que precisa das taxas para financiar um novo centro de congresso não vai ao encontro da perceção dos agentes do setor.

«O que diz a Associação de Hoteleiros de Portugal ? São contra a taxa e não consideram nem necessário, nem oportuno, o centro de congressos que custaria cerca de 60 milhões de euros». «Se os hoteleiros dizem que não é preciso um centro de congressos, então não é difícil chegar à conclusão que também não é preciso impor essas taxas que vão financiar o centro de congressos».

António Costa não demorou a responder: «Sobre os turistas [Paulo Portas] não tem legitimidade para falar, porque por cada embarque já cobra no mínimo doze vezes mais do que aquilo que nos propomos cobrar e por cada dormida já cobra quatro vezes mais», afirmou, à entrada de uma sessão para apresentar aos militantes do PS/Oeste a moção que vai levar ao congresso do partido.

E continuou, dizendo que as taxas que o Estado cobra aos turistas «destina-se a financiar a atividade geral do Estado e o desperdício da má gestão dos dinheiros públicos por parte do Governo», enquanto a receita da sua taxa se «destina a financiar um fundo de investimento», para concretizar projetos do plano estratégico municipal.

Para o autarca, projetos como o Museu dos Descobrimentos, a conclusão das obras da frente ribeirinha e um novo centro de congressos, com mais capacidade do que os existentes para «reforçar a atratividade turística» na cidade são fundamentais. «Lisboa já é hoje um dos destinos mundiais de turismo de congressos e podemos aumentar esse destino se reforçarmos a capacidade de acolhimento», justificou.

Ainda nas críticas ao Governo, o socialista recorda que o Governo de Passos Coelho foi o que aumentou mais os aos portugueses, enquanto Lisboa é a câmara da Área Metropolitana de Lisboa com taxas fiscais mais baixas: Imposto Municipal de Imóveis na taxa mínima e IRS com 2,5%. «Como é que o senhor ministro, que cobra no mínimo 12,5 euros por embarque no aeroporto de Lisboa critica um euro por passageiro», questionou António Costa, dirigindo-se, mais uma vez, a Paulo Portas.