“Tenho muito orgulho no que fiz e espero continuar a ser útil". Foi assim que Diogo Lacerda Machado respondeu, e de viva voz, à crítica de Pedro Passos Coelho, que o acusou de ter "pouca vergonha" ao aceitar o cargo para a administração da TAP. 

Lacerda Machado é conhecido por ser o melhor amigo de António Costa, que ajudou o Governo em vários dossiês, e foi escolhido para vogar da administração da transportadora aérea, num dos três nomes decididos pelo Governo. Os outros dois são Miguel Frasquilho, do PSD, para presidente do Conselho de Administração, e que atualmente está na Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, a AICEP; e também Ana Pinho, que tem estado à frente da Fundação Serralves e ocupará o cargo de vogal. Amiga de Rui Moreira, que tem sido uma das vozes mais críticas da estratégia da TAP. 

O gestor disse à Renascença que, por norma, não presta "declarações públicas", mas acabou por fazê-lo, ao dizer que se iria "limitar a dizer" que tem "muito orgulho" no que já fez para "ajudar a fazer para a salvaguarda do interesse público, de serviço à integração e integridade do património público do Estado”. E diz ao que vem: “Quero ter a certeza de que a minha contribuição vai poder também ser útil”.

Sobre Passos Coelho, afirmou ter “respeito pelo líder do maior partido da oposição, antigo primeiro-ministro” e que tem orgulho no que ajudou "a fazer sob as orientações do senhor ministro do Planeamento e das Infra-estruturas”.

Tenho, sobretudo, uma muitíssimo firme convicção de que a TAP está num extraordinário caminho de sucesso e, portanto, sinto um especial orgulho pessoal por ter podido, até aqui, contribuir para isso”.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, considerou ainda ontem que Diogo Lacerda Machado “já deu provas de saber negociar vários dossiês complexos, mas sobretudo saber interpretar bem os interesses públicos”.

Certo é que a escolha de Lacerda Machado suscitou polémica. Para além de Passos Coelho ter lembrado que este é “o mesmo homem que andou a negociar a reversão” da privatização da transportadora, também do Bloco de Esquerda surgiu o aviso ao Governo para acabar com "velhos hábitos" na nomeação de administradores para empresas públicas.