O primeiro-ministro convocou para terça-feira uma reunião sobre segurança em instalações militares com o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e com os chefes dos três ramos militares, Exército, Marinha e Força Aérea. O primeiro-ministro já regressou de férias e o roubo de armamento em Tancos ainda tem dado muito que falar e o material ainda não foi encontrado.

António Costa chama assim os responsáveis máximos da Defesa nacional, duas semanas depois do sucedido.

A reunião foi agendada para as 17:00 na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, e contará, também, com a presença do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, segundo fonte oficial do Governo, citada pela Lusa.

Em São Bento, estarão assim o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Artur Pina Monteiro, o chefe do Estado Maior do Exército, general Rovisco Duarte, o chefe de Estado-Maior da Força Aérea, general Manuel Teixeira Rolo, e o chefe de Estado-Maior da Armada, almirante Silva Ribeiro.

A Procuradoria-Geral da República anunciou na terça-feira passada que abriu um inquérito ao caso, por suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional. A Judiciária está a seguir como pista mercenários portugueses

Entre o material de guerra furtado, a 29 de junho, dos Paióis Nacionais de Tancos, em Santarém, estão granadas mão, granadas anticarro e explosivos.

No Exército, decorrem averiguações internas. O ministro da Defesa Nacional admitiu desconhecer problemas de insegurança naquela base militar, determinou uma inspeção extraordinária às condições de segurança dos paióis.

Entretanto, e depois de o chefe de Estado-Maios do Exército ter decidido exonerar cinco generais, há um ambiente de clara divisão interna no ramo. No fim de semana, dois outros generais decidiram demitir-se, em rota de colisão com Rovisco Duarte.

Nem o próprio chefe do Exército, nem o Presidente da República, que é também Comandante supremo das Forças Armadas, reagiram ainda a estas demissões. 

Marcelo Rebelo de Sousa exigiu apenas o apuramento total dos factos ocorridos em Tancos. Já o CDS-PP chegou mesmo a pedir a demissão do ministro Azeredo Lopes.