A deputada do BE Ana Drago acusou esta quarta-feira a maioria PSD/CDS-PP de impedir «uma segunda oportunidade» à ministra das Finanças para «causar uma primeira boa impressão», condenando os «indícios» de que Maria Luís Albuquerque mentiu em comissão de inquérito.

«Há indícios de que a atual ministra das Finanças prestou declarações falsas à comissão de parlamentar de inquérito sobre os contratos swap (gestão de risco em empresas do setor público). Deturpou e omitiu factos para o passa-culpas para o anterior Governo», afirmou a parlamentar bloquista, no Parlamento, depois de o seu pedido para nova audição àquela responsável ter sido «chumbada».

Segundo Ana Drago, a responsável da tutela «foi desmentida por cinco personalidades envolvidas, os ex-governantes Costa Pina e Teixeira dos Santos, os responsáveis pelo Tesouro Pedro Felício e Elsa Roncon e até pelo próprio Vítor Gaspar, à data ministro das Finanças», ao dizer não terem existido referências ao assunto na passagem de pastas, mas também quando Maria Luís Albuquerque negou custos para os cofres do Estado.

«Só quer espetáculo, espetáculo, espetáculo, mas quem criou e alimentou este problema? Disso não quis saber», criticou o deputado do PSD Adão Silva, referindo-se aos governos socialistas e comparando a intervenção da deputada do BE à «Santa Inquisição» por tentar "imolar pessoas na praça pública".

Ana Drago sublinhou que «o PS criou o problema e não quer assumir responsabilidades», mas que «a maioria não o resolveu e pagou à Banca», pedindo «decência, honestidade e integridade na condução dos assuntos públicos», depois de o deputado comunista Paulo Sá ter também destacado as "responsabilidades irmamente distribuídas por PSD, CDS e PS».

«Há prova documental que diz que Maria Luís Albuquerque mentiu em comissão de inquérito. Mentiu ao parlamento para esconder a incúria e a inércia que leva à perda potencial de 3.300 milhões», lamentou a deputada do PS Ana Catarina Mendes, ao passo que o democrata-cristão Hélder Amaral defendeu que a maioria está agora a "resolver o problema criado pelo PS".

Para Ana Drago,«o país não pode ter à frente do Ministério das Finanças alguém que apresentou uma versão enganosa aos portugueses».

«Ao que tudo indica, ao contrário do que o primeiro-ministro garantiu, coisas menos corretas pesam sobre a ministra das Finanças», disse, reforçando que tal «nunca tinha acontecido na vida política» e que «não há memória de algo assim na história democrática», relata a Lusa.