A porta-voz bloquista, Catarina Martins, afirmou, nesta segunda-feira, que nenhum outro partido como o Bloco de Esquerda "está em condições de dizer que nunca nenhum deputado ou eurodeputado recebeu subvenções vitalícias, subsídios de reintegração ou qualquer outro privilégio”.

No discurso que fez hoje à noite no comício da candidatura presidencial de Marisa Matias, no Porto, Catarina Martins criticou e questionou "o que é que passou pela cabeça" do grupo de deputados que enviaram para o Tribunal Constitucional as normas, que hoje foram declaradas inconstitucionais, do Orçamento do Estado para 2015 que alteraram o regime das subvenções vitalícias a ex-titulares de cargos políticos tornando-as dependentes de condição de recursos.

"No Bloco de Esquerda nunca nenhum deputado nem deputada ou eurodeputada - e está aqui a Alda Sousa que sabe bem daquilo que falo - recebeu alguma vez subsídios de reintegração ou subvenções, mesmo que tivessem direito a ela", garantiu a porta-voz do BE.

Catarina Martins foi mais longe: "Eu julgo que nenhum outro partido como o Bloco de Esquerda está em condições de dizer que, sendo certo que a lei dava direito, como considerávamos a lei iníqua, nunca nenhum deputado, deputada ou eurodeputado recebeu subvenções vitalícias, subsídios de reintegração ou qualquer outro pagamento de privilégio."

A porta-voz bloquista recordou que quando o BE elegeu pela primeira vez Francisco Louçã e Luís Fazenda para o Parlamento, lutou para acabar com estes subsídios e eles acabaram, considerando que "não vale só o que se diz, vale também o que se faz".

Garantindo que o BE não tem nada contra a proteção social, mas tem tudo contra o privilégio, Catarina Martins assegurou que a candidata presidencial Marisa Matias "não recebe nenhuma pensão de lado nenhum, nem sequer do Banco de Portugal".

Mas a porta-voz do BE aproveitou ainda o discurso para falar da notícia hoje conhecida relativa às 18 recomendações que a troika fez a Portugal, criticando que as instituições internacionais não queiram ver que Portugal mudou e deixando-lhes um aviso: "o despedimento não vai ser facilitado em Portugal".

"Há em Portugal, por decisão do povo soberano que escolheu, uma nova maioria comprometida com os direitos de quem trabalha e com o combate à precariedade", afirmou.

Aos "senhores da troika", desde o Porto, Catarina Martins avisou: "Nós não vamos por aí. Vamos exatamente pelo caminho contrário."