Portas diz que nunca falou sobre submarinos com cônsul na Alemanha

Antigo ministro da Defesa salienta que regras de concurso para aquisição de navios remontavam já a 1998

Por: Redação / HB    |   31 de Março de 2010 às 15:04
Paulo Portas nega ter sido alguma vez contactado pelo cônsul honorário de Portugal na Alemanha sobre o negócio de aquisição de submarinos à empresa Man Ferrostaal (integrante do consórcio German Submarine Consortium), que estará a ser investigado pelas autoridades germânicas, de acordo com a revista alemã «Der Spiegel». O ministro da Defesa durante o mandato de Durão Barroso como primeiro-ministro negou também ter tido qualquer contacto com a empresa sobre esta matéria.

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«Se me perguntam se eu participei em alguma reunião com o consórcio alemão, no Verão de 2002, eu respondo-vos com toda a naturalidade "não", como vos responderia com toda a naturalidade "sim" se, porventura, tivesse participado», disse Portas, aos jornalistas, numa conferência de imprensa em que reagiu às notícias que foram divulgadas esta segunda-feira, pela publicação alemã.

Segundo o «Der Spiegel», o cônsul honorário de Portugal na Alemanha terá recebido um suborno de 1,6 milhões de euros da Man Ferrostaal. Este dinheiro serviria para ajudar a concretizar a compra de dois submarinos por Portugal, em 2004.

Mas Paulo Portas recusou ter mantido qualquer conversa com o cônsul em causa, descrevendo que apenas teve com ele um breve encontro no aeroporto de Munique, quando se deslocou à cidade alemã para participar na conferência que ali se realiza anualmente, para a qual são convidados todos os ministros da Defesa europeus.

«O tal cônsul honorário, a única coisa que eu posso dizer é que se apresenta no aeroporto para dirigir cumprimentos ao ministro português que visita a Alemanha. Pergunta polidamente se precisamos de alguma ajuda para nossa estadia, eu no meu caso disse que não precisava, e, portanto, não posso dizer absolutamente mais nada que não seja que me apresentou cumprimentos», explicou.

Paulo Portas recordou ainda que o consórcio alemão venceu o concurso por apresentar uma proposta mais satisfatória do que o seu concorrente francês, com base em seis critérios. «O concurso tinha regras de decisão que estavam estabelecidas desde 1998, muito antes de eu ser ministro da Defesa», disse.

«Foi nestes pressupostos que o conselho de ministros tomou a decisão em 2003», apontou, salientando que, tanto o do preço como o da qualidade operacional, beneficiavam a Man Ferrostaal.

O antigo ministro apontou que «como sucede frequentemente na área da defesa nacional houve decisão e depois impugnações». «Os tribunais portugueses pronunciaram-se e deram razão à posição do Estado português, instância após instância, até à decisão definitiva que foi tomada pelo supremo tribunal administrativo, em 28 de Julho de 2004», concluiu.
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