O primeiro-ministro destacou hoje as «raízes portuguesas» deixadas no antigo Ceilão, numa visita em que foi recebido pelo primeiro-ministro e pelo presidente do Sri Lanka, ouviu falar crioulo português e assistiu a danças tradicionais da comunidade luso-descendente.

Pedro Passos Coelho esteve com elementos desta comunidade num orfanato apoiado pela AMI, cerca de 70 km a sul da capital, Colombo, onde plantou uma mangueira, árvore nativa da Ásia, descerrou uma placa alusiva à sua visita, içou uma bandeira portuguesa e ofereceu às crianças uma bola da Federação Portuguesa de Futebol.

Em declarações à agência Lusa, o chefe do executivo PSD/CDS-PP considerou que é importante «dar destaque a raízes portuguesas em terras muito longínquas de que as pessoas muitas vezes já perderam memória», a propósito do caráter inédito desta visita oficial.

O primeiro-ministro falou da referência feita pelo poeta Luís de Camões à Taprobana na obra «Os Lusíadas» e considerou que existe no Sri Lanka «uma herança cultural muito rica que testemunha a passagem dos portugueses por esta região».

Apesar disso, acrescentou, «não tem havido ao longo dos anos possibilidades de, ao nível do Governo português, alguém poder estar nesta região».

Pedro Passos Coelho chegou ao Sri Lanka depois de ter viajado cerca de doze horas em voos comerciais, com escala no Dubai, para uma visita oficial de um dia - antes de se deslocar a Díli, Timor-Leste, para participar na X Cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Esta visita oficial inédita de um primeiro-ministro português ao Sri Lanka começou com uma passagem pelo porto da capital, Colombo, onde se encontra uma pedra com o brasão de armas de Portugal, ao lado da qual foi colocada uma faixa de boas-vindas a Pedro Passos Coelho.

O primeiro-ministro recebeu, à chegada, um colar de flores, e esteve acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Sri Lanka, G. L. Peiris, e pelo embaixador de Portugal em Nova Deli, Índia, Jorge Roza de Oliveira.

O chefe do executivo PSD/CDS-PP passou ainda pelo Museu Nacional, onde observou mais vestígios da passagem dos portugueses pelo antigo Ceilão, dos séculos XVI e XVII.

Depois, teve encontros de cerca de meia hora com o primeiro-ministro, Disanayaka Mudiyanselage Jayaratne, e com o Presidente da República Democrática Socialista do Sri Lanka, Mahinda Rajapaksa, com quem almoçou.

A maior cerimónia desta visita, contudo, estava reservada para a tarde, num orfanato da instituição D. Bosco, na localidade de Maggona, que incluiu uma receção de boas-vindas por uma banda militar, uma série de atuações artísticas e de discursos de agradecimento a Pedro Passos Coelho.

Participaram nessa cerimónia o presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), Fernando Nobre, e membros da comunidade Burgher de origem portuguesa, que vieram propositadamente de outras partes da ilha para estar com o primeiro-ministro português.

PM quis «reconhecer o trabalho extraordinário» da AMI

O primeiro-ministro afirmou que um dos motivos da sua deslocação ao Sri Lanka foi «reconhecer o trabalho extraordinário» da organização Assistência Médica Internacional (AMI) presidida por Fernando Nobre que, no seu entender, «enche Portugal de orgulho».

Em declarações à Lusa, Pedro Passos Coelho afirmou que esta sua visita oficial ao Sri Lanka foi motivada pela vontade de «dar destaque a raízes portuguesas em terras muito longínquas» e de «casar essa oportunidade com outra, que é a de reconhecer o trabalho que extraordinário que a AMI vem fazendo também aqui».

«Era importante que, num dos exemplos múltiplos deste serviço extraordinário que a AMI presta nos quatro cantos do mundo eu pudesse, como chefe do Governo português, testemunhar e enaltecer esse trabalho que essa organização tem tido em todo o mundo e que enche Portugal de orgulho», acrescentou.