O presidente da Assembleia da República condenou a "situação gravíssima" de violência sobre jogadores e treinadores do Sporting na Academia de Alcochete, criticando Bruno de Carvalho e apelando a "medidas sérias" da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e do Governo, que poderiam passar pela realização da final da Taça de Portugal à porta fechada.

CRISE NO SPORTING AO MINUTO

Não pode ficar impune quem deu passos decisivos para que esta situação gravíssima tivesse acontecido. Estou a falar de todos aqueles que contribuem para aquilo que tem sido o ódio, a violência, o fanatismo, a corrupção no futebol português. Não são só de um clube, são de vários", disse Ferro Rodrigues, sublinhando estar "a falar na qualidade de Presidente da Assembleia da República", e já depois de lembrar a passagem de Bruno de Carvalho pelo Parlamento com as suas "intervenções extraordinárias habituais".

"Não se trata de um mero caso de polícia. É uma situação gravíssima, que ofende os portugueses, o desporto e o país pelas repercussões internacionais que já teve e que ofendeu fisicamente um conjunto de profissionais que, ao longo de muitos anos, se bateram pelas cores do clube que representam", continuou.

Ferro Rodrigues, sócio do clube de Alvalade há 68 anos, pediu mesmo às autoridades para que "investiguem quem faz do Sporting a miséria a que hoje assistimos".

Numa situação como esta, pior será deixar tudo na mesma. Tem de haver medidas sérias, doa a quem doer, ao nível do Sporting Clube de Portugal, da FPF e do Governo português", defendeu.

Em declarações no Parlamento, o presidente da AR lembrou que já tinha alertado para a "perversidade autoritária e totalitária de dirigentes, em mistura com uma comunicação social fanática, que gosta de explorar até ao pus tudo que acontece ao sábado e ao domingo nos campos de futebol e também aquilo que são claques - ou membros de claques - organizadas como grupos terroristas e que têm de ser tratadas como tal".

O Presidente da Assembleia da República, que citou explicitamente diversas "intervenções extraordinárias, entre aspas" por parte do atual líder leonino, Bruno de Carvalho, declarou em seguida que "não pode ficar impune quem deu passos decisivos para que a situação gravíssima tivesse acontecido".

Sobre a realização da final da Taça de Portugal de futebol, marcada para domingo, no Estádio Nacional, Ferro Rodrigues remeteu a decisão para a FPF, mas adiantou que não o chocaria que o jogo entre Sporting e Desportivo das Aves fosse realizado à porta fechada ou na Vila das Aves.

Costa diz que "selvajaria" não pode ficar impune

O primeiro-ministro, António Costa, disse hoje que os atos de “selvajaria” ocorridos na terça-feira na Academia do Sporting, em Alcochete, não podem ficar impunes, e defendeu que os comportamentos “inaceitáveis” no desporto têm de ser banidos.

O desporto é uma forma de transmissão de valores e não pode ser uma forma de promoção da selvajaria, como ontem [terça-feira] pudemos assistir, que obviamente a todos repugna e não pode ficar impune de forma alguma”, afirmou o primeiro-ministro, à saída da reunião do Partido Socialista Europeu, em Sófia (Bulgária).

António Costa sublinhou que houve “uma infiltração grande no mundo do futebol de comportamentos que são inaceitáveis, que nada têm a ver com o desporto, e que têm de ser banidos”.

Temos de nos dotar dos meios legais necessários para banir este tipo de comportamentos e devolver ao desporto, neste caso ao futebol, a pureza própria”, defendeu.