O PS manifestou hoje perplexidade face a declarações do líder parlamentar do PSD a propor um compromisso para a natalidade e do primeiro-ministro a defender o combate às desigualdades, questionando se o Governo mantém a ideia de mais austeridade.

Em conferência de imprensa na sede do PS, a deputada e dirigente socialista Sónia Fertuzinhos referiu não acreditar que o Governo e a maioria PSD/CDS-PP «não soubessem» as consequências económicas e sociais das políticas da «austeridade expansionista» dos últimos três anos na quebra da natalidade e no aumento da pobreza, registado pelo INE.

«É com enorme perplexidade que o país assiste a estas declarações», afirmou, sublinhando que «o Governo e a maioria de direita durante estes últimos três anos defendeu a austeridade expansionista como único caminho a seguir».

Sónia Fertuzinhos sublinhou que nos dois últimos anos registaram-se «pouco mais de 80 mil nascimentos por ano» e que nos últimos três anos foram registados «menos 18 mil nascimentos» que a média dos anos anteriores, cem mil, à exceção do ano de 2009, em que o número de nascimentos também ficou abaixo dos cem mil.

«É neste cenário que o deputado Luís Montenegro vem falar de políticas de natalidade. (...) Estará o Governo a falar em parar com as políticas dos últimos três anos que criaram instabilidade e incerteza na vida das pessoas?», questionou a deputada.

Natalidade: Portugal em «alerta super vermelho»

Luís Montenegro defendeu, a propósito do tema hoje discutido nas jornadas parlamentares do PSD, um compromisso para a natalidade, considerando que isso implica uma abordagem transversal que passaria pelo sistema fiscal, segurança social, educação e apoio à economia.

A dirigente do PS manifestou também «espanto» pelas declarações do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que hoje apontou como objetivo a redução das desigualdades e das injustiças sociais, afirmando que «doravante» será possível «olhar para as políticas sociais» com um alcance que o «contexto de emergência» dos últimos três anos não permitiu.

«Mas será este o mesmo primeiro-ministro que ontem nas jornadas do PSD disse que vão ser necessários mais cortes para 2015, mais cortes e austeridade?», questionou, frisando que «o aumento do salário mínimo nacional só ainda não é uma realidade porque o Governo se tem recusado a discutir com os parceiros sociais».

Em jeito de resposta, o vice-presidente do PSD Marco António Costa disse que se «alguém tem uma agenda escondida» de políticas ou medidas é o PS, que acusou de ser «o partido do não» que «não se compromete com nada nem ninguém».

«Se alguém tem uma agenda escondida em Portugal é o maior partido da oposição. (...) Só tem uma agenda não escondida quem faz propostas e se apresenta como alternativa», afirmou o vice-presidente e porta-voz do PSD, em declarações em Viseu, na sessão de encerramento das jornadas parlamentares sociais-democratas.

O PS, declarou Marco António Costa, «não promete nada mas também não se compromete com nada nem ninguém», sendo o «partido do não».

«Não promete, não propõe, não apoia, não ajuda, não assume compromissos. É verdadeiramente o partido do não. Desejávamos ter uma oposição diferente», frisou o porta-voz do PSD e coordenador da comissão política.