O PS estimou hoje em 1,1 milhões os portugueses entre os 45 e 65 anos que se encontram fora do mercado de trabalho e em 910 mil as pessoas em situação de privação severa no país.

Estes dados foram apresentados em plenário pela vice-presidente da bancada socialista Sónia Fertuzinhos, tendo depois sido classificados como «tremendistas» pelo PSD, enquanto o CDS criticou o PS por «estar sempre na curva à espera para explorar dificuldades».

Segundo a deputada socialista, a economia e a sociedade portuguesa estão atualmente «fortemente ameaçadas pelo risco de um profundo e prolongado empobrecimento».

«Existem em Portugal 1,1 milhões de portugueses com mais de 45 anos e com menos de 65 anos que estão fora do mercado de trabalho», sustentou Sónia Fertuzinhos, adiantando que nos últimos dois anos emigraram mais de 220 mil pessoas (95 mil jovens entre os 20 e os 34 anos, 63 mil adultos entre os 35 e os 49 anos).

«Portugal regressou nestes dois anos aos saldos migratórios negativos da década de 60», disse ainda a dirigente do Grupo Parlamentar do PS, para quem também aumentou em 2012 «a taxa de risco de pobreza ou de exclusão social».

«Aumentou o número de pessoas em situação de privação severa em 2012, sendo o seu número exato 910 mil, quase um milhão de pessoas», salientou.

O deputado social-democrata Adão Silva considerou «tremendista» a intervenção da deputada do PS e contrapôs com dados constantes no recente Boletim de Inverno do Banco de Portugal.

«Para o PS, no relatório do Banco de Portugal, não há melhorias a registar na economia e na criação de emprego? Parece-me que a sua intervenção é própria de um deputado do PS em desespero», comentou Adão Silva, dirigindo-se a Sónia Fertuzinhos.

Sobre os mais recentes dados do Banco de Portugal, a dirigente da bancada socialista advertiu que, analisar esses mesmos dados «sem os enquadrar na realidade das pessoas, das empresas e do país, pode servir à maioria e ao Governo para tentarem iludir a realidade» mas também «para persistirem nos erros».

Já pela parte do CDS, o deputado João Almeida pediu mais sentido construtivo e de compromisso à bancada socialista, criticando o PS por se posicionar «sempre na curva» à espera de uma oportunidade «para explorar as dificuldades».

«Ainda há um ano o PS previa uma espiral recessiva e um desemprego atual próximo dos 20 por cento. Felizmente, essas previsões do PS não se verificaram», apontou o dirigente do CDS.

Já a deputada do PCP Rita Rato perguntou a Sónia Fertuzinhos se os socialistas ainda exigem a demissão do Governo e a realização de eleições legislativas antecipadas, questão que não teve resposta direta da parte da dirigente da bancada socialista.