A quatro meses das eleições legislativas, a coligação PSD/CDS passou, pela primeira vez, para a frente do PS nas intenções de voto dos portugueses.
 
Uma sondagem da Universidade Católica, para o Diário de Notícias e Jornal de Notícias, dá 38 pontos percentuais para a coligação do atual Governo e 37 ao Partido Socialista. Na verdade, trata-se de um empate técnico, mas com vantagem, pela primeira vez, para os partidos de Passos Coelho e Paulo Portas.
 
Se em outubro o PS juntava 45% das intenções de voto, e estava perto da maioria absoluta, agora com 37%, o partido liderado por António Costa ficaria aquém dos partidos da maioria atual. É uma queda de 8 pontos percentuais, desde que Costa substituiu António José Seguro na liderança.

António Costa já reagiu, relativizando esta última sondagem e todas as outras, no fundo, mantendo todos os objetivos que traçou até aqui:

"As sondagens, quando não são as das urnas, mas as que vão saindo, umas são melhores e outras são piores, mas o que dizem é que temos de continuar a trabalhar e a ganhar e a reforçar a confiança. Estou certo de que se fizermos mais e melhor teremos os resultados que pretendemos. E esses são conhecidos: é ganhar e com maioria absoluta"

 
Por sua vez, a coligação PSD/CDS subiu 6 pontos percentuais, ultrapassando os socialista pela primeira vez desde outubro de 2013.
 
Quanto aos outros partidos, se as eleições tomassem lugar hoje, quem beneficiaria mais do recuo dos socialistas seria o Bloco de Esquerda, que de 4% das intenções de voto em outubro subiu para 8%. Já a CDU, mantém-se como terceira força política ao arrecadar 10% das intenções de voto.
 
No entanto, como explicou, ao DN, João António, responsável pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da U. Católica que realizou o estudo, esta sondagem não prevê uma vitória da coligação, ou do PS, nas eleições. Como a margem entre os dois partidos (1%) é menor que a margem de erro da sondagem (3%), não é possível prever uma vitória mesmo se as eleições fossem hoje.
 
Ainda segundo João António, os resultados finais serão ditados pelos 26% de eleitores que nesta fase ainda se mostram “indecisos” sobre em quem votar nas legislativas.
 
No que toca a outros partidos, como o PDR, de Marinho e Pinto, ou o Livre/Tempo de Avançar, de Rui Tavares e Ana Drago, a sondagem não conseguiu apurar dados concretos, porém estima-se que não superariam os 3% das intenções de voto.
 
Mesmo com esta subida nas sondagens, a imagem do Governo de Passos Coelho e Paulo Portas continua a ser negativa: 28% dos inquiridos classificou o mandato como “muito mau”, 35% como “mau”, enquanto 29% o classificou como “bom” e apenas 2% como “muito bom”. Ainda assim, a maioria (55%) acredita que nenhum outro partido se tivesse comportado melhor no governo que esta coligação. Uma alternativa melhor teria sido o PS para 48%, a CDU para 18% e o BE para 10%.